Dois espetáculos em cartaz neste fim de semana, 12 e 13 de setembro, valem o ingresso: ELEGBAPHO, em Salvador, e SEMENTEIRA, em São Paulo.
ELEGBAPHO, em Salvador
ELEGBAPHO, Território Afrocênico de Celebração Negra, parte de Elegbara, o Exu associado ao poder e às encruzilhadas. A provocação é esta: depois de levar os pedidos dos humanos ao Orum, a morada dos orixás, e ajudar a realizá-los, Elegbara se revolta com o esquecimento das pessoas, que não celebram nem agradecem o que conquistaram.
A montagem mistura teatro, dança, música, projeções e vídeo, e celebra os 25 anos de trajetória de Nando Zâmbia como ator, iluminador e produtor cultural. A direção é de Onisajé e Nando Zâmbia.
“Eu sou um artista negro e a minha poética é o Teatro Preto de Candomblé, mas o espetáculo é para todas as pessoas, porque refletimos sobre questões que atravessam a todos na contemporaneidade”, disse ele ao Correio Nagô. Zâmbia chama a obra de espetáculo-festa: reflexão, humor, teatro ritualístico e festa, para o público pensar a celebração e também vivê-la no corpo.
Ele foi indicado ao Prêmio Braskem de ator revelação em 2010, por Dois Perdidos Numa Noite Suja. O primeiro solo, Irumalé Ayê, Divindades na Terra, circulou por Portugal, Itália, Alemanha e Grécia. Como iluminador, assina montagens como Medeia Negra e Exu, A Boca do Universo. É diretor artístico do Oyá Ladê Inan Ponto de Cultura, em Alagoinhas.
Quando e onde: domingo, 13 de setembro, às 18h, no Centro Cultural Barroquinha, em Salvador. Ingressos a R$ 30 a inteira e R$ 15 a meia, no Sympla. É a segunda apresentação: a pré-estreia foi em 4 de setembro, na abertura do 16º Festival Internacional Gestos de América, o FIGA, que se encerra no dia 13.
SEMENTEIRA, em São Paulo
SEMENTEIRA, do Núcleo Menos 1 Invisível, com concepção e direção artística de Cléia Plácido, leva para a dança a experiência das hortas urbanas e periféricas da zona Leste de São Paulo. A matriz vem das Hortas da Jô, em Ermelino Matarazzo, e do Viveiro Escola das Mulheres do Gaú, na região onde mora parte do elenco, e dos mutirões da Rede Permaperifa.
O espetáculo fala de crise climática e de injustiça ambiental, e recusa a imagem romântica do trabalho com a terra. O que ele valoriza é quem pega na enxada todo dia e espera brotar o que plantou, com chuva, sol, calor extremo ou frio.
“Ao vivenciar as hortas e os mutirões, percebemos que ali não existe apenas uma relação com a natureza, mas também resistência, trabalho e disputa por território”, diz Cléia Plácido.
A pesquisa conversa com Malcom Ferdinand, autor de Ecologia Decolonial, Nêgo Bispo, de A Terra Dá, a Terra Quer, e Denetèm Touam Bona, de A Sabedoria dos Cipós. E homenageia a queniana Wangari Maathai, criadora do Cinturão Verde e Nobel da Paz.
Quando e onde: sábado, 12 de setembro, às 20h, e domingo, 13, às 18h, no Teatro Flávio Império, na Rua Professor Alves Pedroso, 600, Cangaíba, zona Leste de São Paulo. Confira ingresso e retirada com o teatro. Depois, SEMENTEIRA passa pela Fábrica de Cultura Parque Belém em 24 de setembro, às 15h, pelo Centro de Referência da Dança em 16 e 17 de outubro e pelo Complexo Cultural Funarte SP de 21 a 24 de outubro.
Fontes: Correio Nagô, Sympla, Notícia Preta e Africas.