Em junho de 2014, a corredora olímpica Alysia Montaño entrou na pista do campeonato nacional de atletismo dos Estados Unidos grávida de oito meses. A imagem virou manchete. O que veio depois foi menos fotografado, e é sobre isso que ela trabalha desde então: agora, lança um bloco de empresas que se comprometem a acabar com práticas de discriminação contra mães no esporte.
O que ela contou no New York Times
Num artigo assinado por ela no jornal The New York Times, Montaño relatou que patrocinadores como Nike e Asics teriam ameaçado pausar o contrato e reter o pagamento se ela tivesse um filho. Essa é a versão dela, e é assim que precisa ser lida: o relato é dela, e a reportagem que o reproduz trata a ameaça como alegação.
O plano de saúde não vinha da marca
Junto com o episódio, Montaño perdeu o plano de saúde. Ele não era fornecido pela marca que a patrocinava: vinha do Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos e da federação de atletismo do país. São duas coisas distintas, e vale não confundi-las.
A Nike implantou uma nova política de maternidade para atletas patrocinadas depois do caso. Isso também é parte da história, e sem isso ela fica contada pela metade. A mudança veio depois da denúncia dela.
De denúncia a estrutura
Em 2020, Montaño fundou a organização sem fins lucrativos For All Mothers+, para defender melhores condições para mães no esporte. Agora vai um passo além com o Mother in Sport Collective, que busca reunir empresas dispostas a assumir compromissos concretos: uma política de maternidade padrão, estações de amamentação e custeio de fertilidade ou adoção. Marcas como Strava, Hoka, Lululemon, Clif e Altra já aderiram, entre outras.
“Isso realmente nos levou a dizer: este não é só um problema de atleta”, disse ela ao jornal USA Today. “Não é um problema da indústria do esporte. É uma questão social ampla.”
Ela descreve o alcance que espera do bloco assim: “Vai ter um efeito de onda maior. A gente sabe que o esporte é um microcosmo do que acontece no mundo. E essas mudanças que usamos no esporte são um modelo de como enfrentar questões sociais maiores.”
Allyson Felix fez o próprio caminho
Allyson Felix, que teve o próprio embate com a Nike por razões semelhantes, se associou à marca Athleta para criar uma linha de produtos para mulheres e meninas e lançou uma iniciativa de creche para atletas mães. São duas histórias paralelas, não a mesma história.
Fonte: The Root, reportagem de Shanelle Genai, 19 de setembro de 2026, a partir de reportagem do USA Today. As declarações de Alysia Montaño foram dadas ao USA Today. A reportagem não informa a distância da prova que ela correu em 2014, apenas o campeonato.