Antes de ser uma das maiores atacantes do futebol africano, Barbra Banda foi boxeadora. Começou aos 14 anos, inspirada pela zambiana Catherine Phiri. Virou profissional por um motivo específico: as adversárias amadoras se recusavam a enfrentá-la. Foram seis meses de carreira, cinco lutas profissionais e cinco vitórias. Nas palavras dela: nunca perdeu uma luta, e então decidiu se concentrar em uma coisa só.
Escolheu o futebol. Tinha começado a jogar aos sete anos, em Lusaka, num clube que não tinha equipe feminina, então jogava com os meninos.
Os gols
Em 2020, no futebol chinês, fez 18 gols em 13 partidas e ganhou a Chuteira de Ouro da liga.
No ano seguinte, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, aconteceu o que ninguém tinha feito: três gols contra a Holanda e três contra a China, em jogos seguidos. É a primeira futebolista da história olímpica a marcar hat-tricks consecutivos. Vale reparar no detalhe: a Zâmbia perdeu o primeiro jogo por 10 a 3 e empatou o segundo em 4 a 4. Ela fez seis gols em duas partidas que o time não venceu.
Julho de 2022
Em 6 de julho de 2022, a Confederação Africana de Futebol declarou Banda e mais três jogadoras da Zâmbia inelegíveis para a Copa Africana. O motivo: um exame de verificação de gênero apontou níveis de testosterona natural acima do permitido pelos critérios então vigentes.
Banda chegou a tomar medicação para reduzir o nível e, ainda assim, não passou no critério. A Human Rights Watch afirmou que os direitos dela foram violados e criticou as regras que submetem atletas a esse tipo de exame.
Cinco meses depois, em dezembro de 2022, a FIFA declarou que ela estava apta a competir. O corpo era o mesmo.
O que veio depois
Em 2024 ela se transferiu para o Orlando Pride, nos Estados Unidos, onde joga ao lado de Marta, a quem credita parte da própria evolução. Naquela temporada o clube ganhou os dois títulos da liga americana, a melhor campanha e o campeonato. Banda marcou o gol do título e foi eleita a melhor jogadora da final.
No mesmo ano foi escolhida Jogadora Africana do Ano pela CAF, Jogadora do Ano pela BBC, e entrou na seleção das onze melhores do mundo da FIFPRO, votada pelas próprias jogadoras profissionais. Nos Jogos de Paris, em 2024, fez outro hat-trick.
O corpo dela nunca foi o problema. O problema foi quem estava com a régua na mão.
Fontes: CAF, FIFA, Human Rights Watch, BBC, NWSL e Olympics.com, 2022 a 2026.