Em 5 de setembro, o Black Pantera subiu ao Palco Sunset do Rock in Rio para um show que a crítica especializada já chama de histórico. O trio de Uberaba (MG) dividiu o palco com a Nervosa, banda paulista de thrash metal formada só por mulheres, e viu o público responder com um gesto raro num festival de rock: uma roda formada exclusivamente por meninas, enquanto os homens abriam espaço ao redor.
Quem é o Black Pantera
Formado em abril de 2014 em Uberaba por três músicos negros — Charles Gama (voz e guitarra), Chaene da Gama (baixo) e Rodrigo "Pancho" Augusto (bateria) —, o Black Pantera toca crossover thrash, mistura de thrash metal com hardcore punk, com influências que vão de Bad Brains e Rage Against the Machine a Sepultura. O nome é uma referência direta ao Black Panther Party, e as letras tratam de racismo, discriminação e violência policial: "I Can't Breathe" (2020) foi lançada logo após o assassinato de George Floyd e cita casos de brutalidade policial contra crianças brasileiras. Em 2024, o álbum Perpétuo foi eleito pela Rolling Stone Brasil o segundo melhor disco nacional do ano, e a faixa "Tradução" ganhou o prêmio de Música do Ano da Associação Paulista de Críticos de Arte.
O show
A apresentação abriu com "Hórus" e trouxe faixas novas do quinto álbum, Continental, lançado em 21 de agosto: "Obsoleto" e "Fogo nos Racistas" entre elas. Ao tocar "Tradução", Charles dedicou a música ao fim da escala de trabalho 6 por 1, "para que suas mães possam estar mais tempo com vocês", e desceu para beijar a própria mãe na plateia. O show ainda teve uma homenagem a Rita Lee, com "Obrigado Não".
O encontro com a Nervosa
Prika Amaral, vocalista e guitarrista da Nervosa — que lançou em abril o sexto álbum, Slave Machine, o segundo com ela nos vocais —, subiu ao palco para cantar "Serotonina" e "Endless Ambition" ao lado do Black Pantera. Foi durante "Serotonina" — faixa gravada originalmente com a rapper Duquesa — que a banda pediu a roda só de meninas, e os homens recuaram para abrir espaço. A crítica destacou o encontro como um gesto duplo de representatividade num gênero historicamente branco e masculino: duas bandas que usam o próprio espaço para falar de quem normalmente fica de fora dele.
O show aconteceu no mesmo dia da despedida do Sepultura do Rock in Rio, que encerrou 35 anos de apresentações da banda no festival: os veteranos tocaram no Palco Mundo às 16h40, e o Black Pantera subiu ao Sunset às 17h50, pouco mais de uma hora depois. A proximidade não é só de horário — Derrick Green, vocalista do Sepultura, canta em Continental. A crítica leu a sequência como uma passagem de bastão entre gerações do metal brasileiro.
A camiseta que já tinha viajado antes
"Fogo nos Racistas" já vinha ganhando visibilidade fora do Brasil: em 2 de agosto, uma camiseta do Black Pantera com a frase apareceu como bandeira erguida durante o show do Turnstile no Lollapalooza Chicago. O baixista Chaene da Gama comemorou nas redes: "Enquanto isso no Lollapalooza Chicago, nossa camiseta emula como uma bandeira."
Fontes: G1; SemanaPop, "Black Pantera e Nervosa fazem encontro histórico no RiR"; Igor Miranda, resenha do show no Rock in Rio 2026; Tenho Mais Discos Que Amigos; Wikipédia, "Black Pantera".