O longa "Carolina de Jesus" exibe teaser inédito na Bienal do Livro de São Paulo em 5 de setembro, das 15h15 às 16h, na Arena. O filme é dirigido por Jeferson De, com roteiro de Maíra Oliveira e produção de Clélia Bessa e Maria Gal. Está em pós-produção e tem estreia prevista para 2027.

A adaptação parte de Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada e acompanha o período entre a escrita do livro e a sua publicação.

Quem senta na mesa

Maria Gal interpreta Carolina e assina a produção. Vera Eunice, filha da escritora e também atriz, participa da conversa. Clayton Nascimento, ator e preparador de elenco, e Conceição Evaristo, escritora que integra o elenco do filme, completam a mesa. A mediação é de Adriana Couto.

Quatro livros em vida

Carolina publicou quatro livros enquanto viva: Quarto de Despejo, em 1960, Casa de Alvenaria, em 1961, e Pedaços da Fome e Provérbios, ambos em 1963.

A tiragem inicial de Quarto de Despejo foi de dez mil exemplares e se esgotou em uma semana. Com as reedições, passou de cem mil exemplares no primeiro ano. O livro foi traduzido para treze idiomas e distribuído em mais de quarenta países, em plena Guerra Fria.

O que ficou nos cadernos

Ela deixou muito mais do que publicou. O levantamento da pesquisadora Raffaella Fernandez reúne sete romances, mais de cem poemas e 58 cadernos manuscritos, cerca de cinco mil páginas, em grande parte inéditos. Nunca foi um livro só, ainda que o país tenha insistido em lê-la assim.

Esse acervo vem sendo publicado pela Companhia das Letras na coleção Cadernos de Carolina, coordenada por Vera Eunice de Jesus Lima e Conceição Evaristo, com conselho editorial formado pelas pesquisadoras Amanda Crispim, Fernanda Felisberto, Fernanda Miranda e Raffaella Fernandez. Quer dizer: quem edita a obra da mãe é a filha, ao lado de outra escritora preta.

O que ela abriu

Antes de Carolina, a favela era assunto de quem olhava de fora. Ela inverteu a posição: escreveu de dentro, em primeira pessoa, sobre a própria vida, e foi lida no mundo inteiro. A literatura periférica brasileira que veio depois começa aí.

Por décadas ela foi lida como caso raro, quase curiosidade, e não como escritora. Um filme dirigido por Jeferson De, com a filha dela na mesa e Conceição Evaristo no elenco, é a diferença entre virar personagem de um causo e ser tratada como autora de uma obra.

Antes de sair de casa

Este texto não é convite. Os ingressos para o dia 5 de setembro já se esgotaram, e as sessões da Arena pedem senha retirada com antecedência. Confira sempre a programação oficial da Bienal antes de sair de casa.

Fontes: Mundo Negro (31 de agosto de 2026); Instituto Moreira Salles e Jornal da USP (tiragem, traduções e bibliografia); Diário de Pernambuco e Jornal da USP (levantamento de Raffaella Fernandez sobre os inéditos); Companhia das Letras (coordenação e conselho editorial dos Cadernos de Carolina); programação oficial da Bienal do Livro de São Paulo.