Cassandra Wilson morreu na terça-feira, 3 de setembro, em casa, em Jackson, no Mississippi, a cidade onde nasceu e cresceu. Tinha 70 anos. A morte foi confirmada por Jeramiah Howard, coroner do condado de Hinds. A causa não foi informada.

O que ela fez com o repertório dos outros

Wilson ganhou dois Grammys de melhor álbum de jazz vocal, o primeiro em 1997, por New Moon Daughter, e o segundo em 2009, por Loverly. Em 2015 lançou Coming Forth by Day. Em 2001, a revista Time a chamou de melhor cantora dos Estados Unidos. Em 2022, recebeu o título de Jazz Master da National Endowment for the Arts.

O que a tornou reconhecível não foi o repertório, foi o que ela fazia com ele: pegava canção conhecida, standard de jazz ou sucesso pop, e devolvia irreconhecível, num registro grave que obrigava quem ouvia a chegar mais perto. Motown, Miles Davis e Thelonious Monk estão entre o que ela citava como formação.

As homenagens

O músico Jon Batiste disse que o timbre, o fraseado e o modo dela de tecer junto o folclórico, o R&B e a música da diáspora eram inconfundíveis. O prefeito de Jackson, John Horhn, a chamou de filha extraordinária da cidade, de voz musical singular.

Uma cantora do Mississippi que morreu no Mississippi

Ela nasceu, cresceu e morreu na mesma cidade, num estado que é o centro geográfico do blues e um dos lugares mais duros da história racial americana. Cassandra Wilson fez carreira no circuito de jazz de Nova York, foi lida ali como uma das vozes mais sofisticadas da sua geração, e morreu na casa de onde tinha saído. O prefeito da cidade chamou isso de filha extraordinária. É uma forma de dizer que ela nunca foi embora de verdade.

Fonte: Andscape, com informações da Associated Press, 3 de setembro de 2026. Imagem: Professor Bop, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.