O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco negou, em 14 de setembro, na 44ª Sessão Ordinária, o pedido de direito de resposta da candidata a deputada federal Clarissa Tércio, do Progressistas, contra uma publicação do perfil Macumba Ordinária no Instagram. Quatro dos cinco desembargadores presentes acompanharam o relator.

O que a publicação dizia

A publicação, de 19 de agosto, afirmava que a candidata e o então deputado estadual Joel da Harpa chamaram de “assassina” uma criança de 10 anos, vítima de estupro, que veio do Espírito Santo ao Recife para fazer aborto legal em 2020.

Na ocasião, os dois se juntaram a outras pessoas ligadas a grupos religiosos fundamentalistas na porta do Centro Universitário Integrado de Saúde Amaury de Medeiros para impedir o procedimento. Ele foi realizado assim mesmo.

O voto do relator

O relator, desembargador Luiz Gustavo Mendonça de Araújo, entendeu que a publicação era síntese crítica de um episódio real e que não havia falsidade capaz de justificar o direito de resposta.

Ele não afirmou que a candidata disse a palavra pessoalmente. Disse que, liderando o ato, não seria possível dissociá-la do contexto coletivo. A formulação importa, e é essa.

A decisão não foi unânime

O desembargador Breno Duarte de Oliveira divergiu. Reconheceu que houve manifestação hostil, mas questionou se havia elementos probatórios suficientes para afirmar que Clarissa Tércio pessoalmente chamou a criança de assassina, e sustentou que seria necessária prova mais palpável, como uma imagem ou registro direto.

O vídeo no canal dela

Além das reportagens usadas pelo relator, o Marco Zero Conteúdo cita um vídeo publicado no canal dela no YouTube: “tem uma assassinato de um bebê de 22 semanas de gestação [...] a gente não quer permitir isso, a menina tá vindo lá do Espírito Santo. Pernambuco, vai compartilhando, vai avisando para todo mundo. Um bebê vai ser morto aqui”.

A publicação segue fora do ar

Segundo o Marco Zero Conteúdo, a equipe jurídica do perfil Macumba Ordinária trabalha para reaver a publicação, que foi suspensa pela Meta.

Fonte: Marco Zero Conteúdo, 16 de setembro de 2026. A reportagem não informa a cor ou a raça de nenhuma das pessoas citadas, e esta matéria não a afirma. Nenhum dado que identifique a criança foi publicado aqui.