Os Jogos da Commonwealth terminaram em 2 de agosto, em Glasgow. Quando as delegações se organizaram para deixar a Escócia, faltavam atletas.

A Polícia da Escócia confirmou ter recebido relatos de vários competidores não localizados e disse que apura as circunstâncias, em contato inicial com o Ministério do Interior britânico. Entre os ausentes estão quatro integrantes da equipe de boxe de Uganda e um boxeador do Paquistão, que não estava no alojamento quando os dirigentes chegaram para levar o time ao aeroporto. Parte da imprensa britânica fala em até sete atletas.

Uma decisão editorial deste portal

Os nomes foram publicados pela imprensa britânica. Não vamos repeti-los aqui.

São pessoas que, pelo que se noticia, podem estar em processo de pedir asilo. Nome de solicitante de asilo circulando é risco: para a própria pessoa, enquanto o pedido não é decidido, e para a família que ficou no país de origem. A notícia se conta inteira sem os nomes, e o que importa aqui não é quem são, é por que isso acontece toda vez.

O que se sabe e o que não se sabe

O veículo esportivo ugandense NBS Sport noticiou que um dos atletas ausentes afirmou que o grupo pretendia pedir asilo na Escócia para seguir com a carreira no boxe, citando melhores condições de treino.

Isso é o que foi noticiado, e vale marcar o limite: não houve declaração pública dos atletas, nem confirmação das autoridades britânicas sobre motivação. Qualquer coisa além disso é especulação, inclusive a mais simpática.

Não é a primeira vez, e não é coincidência

Aconteceu depois de Glasgow 2014. Aconteceu depois de Birmingham 2022. E os atletas que não voltam vêm, edição após edição, de países africanos e asiáticos.

Quando um padrão se repete em três edições seguidas, ele deixa de ser história individual e passa a ser característica do sistema. A pergunta certa não é por que aquelas pessoas ficaram. É o que existe do outro lado da passagem de volta.

Repare no nome da competição

Commonwealth. É a competição esportiva dos países que o Império Britânico colonizou. O atleta sai de Uganda, viaja para a Escócia, compete representando o país que a Inglaterra governou até 1962, e depois volta.

Durante duas semanas ele é bem-vindo, tem alojamento, credencial, transporte e cobertura de imprensa. Encerrada a cerimônia, a estrutura inteira que o trouxe se desmonta e o caminho para permanecer, treinar e trabalhar ali deixa de existir.

Pedir asilo, nesse desenho, não é fugir de uma competição. É a única porta que abre para quem já está do lado de dentro, e só enquanto está.

Fontes: Polícia da Escócia, Sky Sports, Inside the Games e NBS Sport, agosto de 2026.