Em um ato de campanha do candidato à Presidência Renan Santos (Missão), neste domingo (27), na escadaria da reitoria da Universidade Federal da Bahia (Ufba), no bairro do Canela, em Salvador, o presidente estadual do partido, Davi Pirajá, defendeu publicamente que seja feita uma chacina em dois bairros periféricos da cidade — um deles chamado por ele de "Planeta dos Macacos". Renan Santos, ao lado dele no palco, endossou a fala em seguida.

O que ele disse

Discursando sobre segurança pública, Pirajá afirmou, segundo registros do ato compartilhados nas redes e reproduzidos por veículos baianos: "tem que ter uma chacina no Bairro da Paz! Tem que ter! Tem que ter uma chacina no Planeta dos Macacos." O Bairro da Paz é uma comunidade periférica de Salvador. "Planeta dos Macacos" é como Pirajá nomeou uma segunda área da cidade — associada por moradores e entidades à zona do São Cristóvão —, numa expressão que remete à comparação racista de pessoas negras a macacos.

A resposta de Renan Santos

Renan Santos não se distanciou da fala do aliado. Pelo contrário: endossou-a no palco, argumentando que a declaração mirava integrantes do crime organizado, e não os moradores das comunidades citadas. Segundo o candidato, o crime organizado impõe às pessoas que vivem ali uma rotina opressiva, chegando a ditar até que roupas podem ou não ser usadas.

Quem são Pirajá e o Missão

Davi Pirajá preside o Missão na Bahia, partido pelo qual Renan Santos concorre à Presidência da República na eleição deste ano. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

Reação

O Conselho de Moradores do Bairro da Paz classificou as declarações como criminosas e covardes, e disse que defender o extermínio de moradores de uma comunidade não pode ser tratado como liberdade de expressão ou debate político legítimo. A entidade pediu apuração ao Ministério Público da Bahia, à Secretaria de Segurança Pública e à Polícia Civil, além de cobrar responsabilização dos organizadores do ato. A Agência de Notícias da Favela e o Jornal Comunitário Bairro da Paz também repudiaram a fala, classificando-a como incitação à violência que viola a Constituição e tratados internacionais de direitos humanos.

A vereadora de Salvador Marta Rodrigues (PT) acionou a Justiça para que a conduta dos envolvidos no ato seja investigada. Para ela, "discurso de ódio não é política pública" — segurança, argumenta a vereadora, se faz com inteligência, prevenção e ação do Estado dentro da lei, e não com apologia a chacinas.

O lado jurídico

O procurador de Justiça Rômulo de Andrade Moreira protocolou uma notícia de fato na Procuradoria-Geral de Justiça da Bahia (PGJ-BA) pedindo a abertura de um procedimento de investigação criminal e o encaminhamento do caso à Justiça Eleitoral. A conduta de Pirajá pode se enquadrar no artigo 287 do Código Penal, que prevê o crime de apologia ao crime, com pena de três a seis meses de detenção ou multa.

A nove dias do primeiro turno, um dirigente partidário pediu publicamente uma chacina em bairros negros e periféricos de Salvador, valendo-se de um apelido racista para nomear um deles — e o candidato ao seu lado no palco endossou a fala em vez de repudiá-la. O episódio agora está nas mãos da Justiça.

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Fontes: BNews (três matérias, 27 e 28 de setembro de 2026); Farol da Bahia (27 de setembro de 2026); Portal Salvador FM (27 de setembro de 2026); bahia.ba (28 de setembro de 2026); Notícias da Bahia (27 de setembro de 2026); Política ao Vivo (28 de setembro de 2026). Foto: reprodução de vídeo do ato.