Dos 513 deputados federais eleitos no domingo, 4 de outubro, 29 se autodeclararam pretos no registro de candidatura. Desses, 19 são de partidos de esquerda: PT, PSOL e PCdoB. Entre os eleitos de PSB, PDT, Rede e PV, nenhum se declarou preto.
A lista abaixo é apuração própria da Poder Afrikano nos arquivos de candidaturas e de votação nominal do Tribunal Superior Eleitoral, e mostra os 10 mais votados entre esses 19.
Os 10
1. Erika Hilton (PSOL-SP): 1.596.472 votos
2. Ana Elisa (PT-MG): 524.219
3. Jones Manoel (PSOL-PE): 249.077
4. Dilvanda Faro (PT-PA): 192.372
5. Rick Azevedo (PSOL-RJ): 191.371
6. Anielle Franco (PT-RJ): 149.726
7. Valmir Assunção (PT-BA): 148.941
8. Rosa Amorim (PT-PE): 144.101
9. Jack Rocha (PT-ES): 142.187
10. Dr. Francisco (PT-PI): 124.515
Quem são alguns deles
Erika Hilton teve a maior votação de uma mulher na história da Câmara dos Deputados. Em 2022, na primeira eleição federal, tinha recebido 256.903 votos.
Ana Elisa, de Divinópolis, tem 21 anos e foi a segunda mais votada da lista, com mais de meio milhão de votos em Minas Gerais.
Rick Azevedo, ex-balconista de farmácia, criou o Movimento Vida Além do Trabalho, que levou a luta pelo fim da escala 6x1 para dentro do Congresso.
Anielle Franco deixou o Ministério da Igualdade Racial em abril para disputar a eleição pelo Rio de Janeiro.
O critério, e o que fica de fora
A lista é de quem se declarou preto ao Tribunal Superior Eleitoral. Quem se declarou pardo não entra nela.
O filtro de partido deixa de fora três deputados eleitos que também se declararam pretos: Pastor Sargento Isidório (Avante), com 248.147 votos, Antonio Brito (PSD), com 205.815, e Sandro Filho (PP), com 167.394.
Logo depois do 10º vem Olívia Santana (PCdoB-BA), com 123.359 votos, apenas 1.156 a menos que Dr. Francisco. Os números são os dos arquivos do Tribunal Superior Eleitoral de 5 de outubro e podem mudar se houver retotalização.
Representação se conta voto por voto. São 19 entre 513, menos de 4% da Câmara, num país em que pretos e pardos somam a maioria da população. Saber quem são, e de onde vieram, é o primeiro passo para cobrar o que fazem com o mandato.
Fontes: Tribunal Superior Eleitoral, Dados Abertos, arquivos de candidaturas (cor ou raça autodeclarada) e de votação nominal por candidato das eleições de 2026, versão de 5 de outubro. Câmara dos Deputados, Dados Abertos. g1.