A atriz Duda Santos, de 25 anos, está em preparação para interpretar a ginasta Daiane dos Santos no cinema. São seis dias de treino por semana, dieta específica e testes de caracterização. As filmagens de “A Menina Que Voa” começam em janeiro de 2027 e o filme ainda não tem data de estreia.
A preparação
Duda Santos foi anunciada como protagonista do longa em julho deste ano. Além do treinamento físico e da dieta, a preparação inclui testes de caracterização, segundo o Mundo Negro. “A caracterização já começou, ela usava aparelho e eu já comecei a me acostumar”, disse a atriz.
Quem trabalha com ela é o coreógrafo Rony, responsável pela apresentação de Daiane ao som de “Brasileirinho”, em 2003, um dos momentos mais lembrados da carreira da ginasta. Duda também vem se aproximando da própria Daiane para entender seus gestos e sua trajetória. A ex-ginasta será consultora durante o roteiro e as filmagens.
O salto que leva o nome dela
Em 2003, Daiane dos Santos se tornou a primeira brasileira a conquistar uma medalha de ouro num Mundial de Ginástica Artística. Na mesma competição, apresentou o duplo twist carpado, movimento que entrou para o esporte com o nome de “Dos Santos”, em homenagem a ela. No ano seguinte, nos Jogos Olímpicos de Atenas, apresentou o movimento que ficou conhecido como “Dos Santos 2”.
O período que o filme cobre
O projeto acompanha a trajetória de Daiane, com foco no período entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, quando ela enfrentou barreiras sociais, raciais e esportivas até se firmar como uma das principais atletas da ginástica artística brasileira, segundo o Mundo Negro.
Sobre aquele tempo, Daiane já falou em detalhe. Em entrevista à revista Marie Claire, reproduzida pela Exame em 2021, ela disse: “Comigo, houve situações na seleção, nos clubes, de pessoas que não queriam ficar perto, que não queriam usar o mesmo banheiro! Aquele tipo de coisa que nos faz pensar: opa, voltamos à segregação”. Na mesma entrevista, afirmou: “Acho que não existe uma pessoa preta que não tenha sofrido racismo na vida. O que acontece é que muitas pessoas não entendem o que estão passando, não sabem diagnosticar”.
Ela citou ainda a origem social como camada adicional da discriminação: “E além da questão da raça, tem a questão de vir do sul, de não ser do centro do país, de ter origem humilde”.
Quem produz
A produção é da Maria Farinha Filmes, em coprodução com a Ashé Ventures, fundada por Viola Davis, Julius Tennon e Maurício Mota, e com a Globo Filmes. A distribuição fica com o selo Manequim, da Vitrine Filmes. A direção é de Yasmin Thayná.
Análise: a cinebiografia chega depois do apelido
Esta parte é análise do Poder Afrikano. O nome “Dos Santos” está no código da ginástica desde 2003. Ele é usado por atletas do mundo inteiro que talvez nunca tenham visto Daiane competir, e sobreviveu à carreira dela sem depender de filme nenhum.
O que o cinema ainda não tinha feito era contar o que houve antes do salto. O recorte escolhido, o fim dos anos 1990 e o começo dos anos 2000, é justamente o das barreiras, e não o do pódio. É uma decisão de roteiro que muda o assunto: não é a história de uma medalha, é a história do que foi preciso atravessar para chegar até ela.
Fontes: Mundo Negro, 16/09/2026; Exame, 25/07/2021.