Ellen Oléria sobe ao palco do Teatro do Sesc Belenzinho, em São Paulo, neste domingo, 23 de agosto de 2026, às 18 horas, para apresentar Canto de Casa Vol. 1. O show tem 90 minutos e marca os 25 anos de carreira da cantora, compositora e produtora nascida em Brasília.
O disco em si não é novidade: está nas plataformas desde 30 de maio de 2026. O que acontece no domingo é o show desse repertório no Sesc Belenzinho, com a banda que gravou o disco com ela.
Um disco sobre o afeto do encontro
Canto de Casa Vol. 1 abre um novo projeto de Ellen Oléria, numerado desde o título. O material de divulgação descreve o disco como um abraço sonoro: dez faixas cheias de suingue que recriam a atmosfera das rodas de música entre amigas e amigos, a canção que nasce no quintal, na sala, no calor das memórias compartilhadas. É apresentado como um tributo à força do afeto, do pertencimento e da escuta, e como a construção da identidade a partir do espelhamento.
A produção e a direção musical são assinadas por Ellen Oléria ao lado dos músicos Felipe Viegas, Pedro Miranda e Renato Galvão Santos. Gravado em São Paulo, o álbum tem 35 minutos e costura rhythm and blues, música popular brasileira, samba-funk, soul, hip hop, afrobeat e outras sonoridades negras contemporâneas.
Entre os destaques estão Incendiou, que cruza rhythm and blues, funk e hip hop; A Saudade Se Instaurou, entre neo soul e música popular brasileira; e Pinga Tinta, que junta afrobeat e carimbó. O disco abre com Axé de Ouro e conta com as participações de Rincon Sapiência, em Te Faria, e de Jef Rodriguez, da Banda OQuadro, em Nada Se Compara.
No palco, Ellen Oléria divide o repertório com Pedro Miranda no baixo, Vini Sampaio na guitarra, Renato Galvão Santos na bateria e Felipe Viegas no teclado. Ela assina voz e violão.
De um bar em Taguatinga ao prêmio nacional
Ellen Gomes de Oléria nasceu em Brasília em 12 de novembro de 1982. Começou a cantar ainda adolescente nos bares e clubes de Taguatinga, e conta a carreira profissional a partir do ano 2000.
Em 2012 ela ganhou o país inteiro de uma vez. Na audição às cegas da primeira temporada do The Voice Brasil, escolheu cantar Zumbi, de Jorge Ben Jor, e virou as quatro cadeiras. Carlinhos Brown, Cláudia Leitte, Daniel e Lulu Santos a disputaram. Ela foi para o time de Brown e venceu a temporada.
Repare no repertório, porque ele não é acaso. Uma mulher negra de Brasília se apresentou ao maior programa de auditório da televisão brasileira cantando uma canção que nomeia Zumbi dos Palmares. O prêmio da temporada incluía dinheiro, carro, gestão de carreira e contrato com uma gravadora multinacional.
O que veio depois é a parte que interessa. Ellen Oléria não virou produto de gravadora. Construiu um catálogo próprio, com discos como Afrofuturista, de 2016, e levou esse repertório para fora do país.
Canto de Casa Vol. 1 segue a mesma lógica: é um lançamento independente, com o fonograma no nome dela e distribuição da Tratore. Catorze anos depois de receber um contrato multinacional como prêmio de televisão, ela lança o disco por conta própria.
Por que isso importa para a música negra brasileira
A música negra brasileira raramente teve o problema de talento. Teve, e tem, o problema do controle: quem grava, quem distribui, quem fica com o fonograma, quem decide o que é comercial. A trajetória de Ellen Oléria é uma resposta prática a essa pergunta, e ela responde no lugar onde a resposta custa caro, que é o da propriedade.
Há também a questão do repertório. Os gêneros que o disco costura, rhythm and blues, soul, samba-funk, hip hop, afrobeat, não são estilos avulsos: são ramos de uma mesma matriz. Reuni-los num álbum só, sem pedir licença a nenhuma fronteira de gênero, é uma afirmação sobre a origem comum deles.
E há o gesto do título. Chamar o disco de canto de casa, e falar do quintal, da sala e da roda de amigos, é dizer que a música negra não precisa provar nada em território alheio para valer. Ela vale no lugar de onde vem.
Serviço
Ellen Oléria apresenta Canto de Casa Vol. 1
Domingo, 23 de agosto de 2026, às 18 horas
Teatro do Sesc Belenzinho, Rua Padre Adelino, 1000, São Paulo
90 minutos, classificação 12 anos
Ingressos: 60 reais a inteira, 30 a meia e 18 para credencial Sesc Plena
Vendas no site do Sesc São Paulo e nas bilheterias das unidades, com limite de dois ingressos por pessoa
Fontes: ficha do álbum na Apple Music, conferida em 21 de agosto de 2026; Sesc São Paulo; Agência Athos; Preta Joia. Fotos de divulgação: Diego Bresani.
Ficha técnica
Direção Geral: Ellen Oléria
Produção Musical: Ellen Oléria, Felipe Viegas (@felipeviegas__), Pedro Miranda e Renato Galvão (@renatogalv)
Engenheiro de gravação: Pedro Miranda (@miranda.musica)
Assistência de gravação: Gabriel Altério (@gabriel.alterio)
Mixagem: João Milliet (@joaomilliet) e Artur Vienna (@arturvienna)
Masterização: Felipe Tichauer (@redtraxxmastering)
Produção Local / Editorial: Leila de Castro (@leialdecastro)
Produção Operacional Geral: Jaqueline Pimentel (@jaquelinespimentel)
Produção Executiva: Poliana Martins (@polipreta)
Tratamento de Fotografia da capa e ensaio fotográfico: Diego Bresani (@diegobresani)
Maquiagem: Vanessa Braga (@vanessabragamaquiadora)
Styling: Naná Reis (@nanamilumbe)
Assessoria de imprensa: Patrícia Dornelas (@tititadornelas01)
Direção de arte e identidade visual: Alastra Comunicação (@alastra_comunica)
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