O 19º Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul ocupa a Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro, de 21 a 25 de setembro. Na madrugada de 24 para 25, a praça recebe uma virada cultural com entrada gratuita, que termina numa sessão de cinema das 4h às 5h e num café da manhã coletivo ao amanhecer. Realizado pelo Centro AfroCarioca de Cinema, o Encontro integra a programação da Semana de Arte do Rio.

Da madrugada ao café

Segundo a programação divulgada pela organização ao site Mundo Negro, a virada reúne DJs, MCs, apresentações musicais e intervenções com bailarinos, atrizes e músicos, ao ar livre, na Banca do André. A noite segue até a última sessão de cinema. Depois dela vem o café da manhã coletivo na Praça da Cinelândia, ao amanhecer. As atividades ao ar livre na praça têm entrada gratuita.

O horário de início da virada não foi divulgado. Só o fim está marcado: a sessão das 4h às 5h do dia 25.

O quadrilátero do cinema negro

A programação se concentra no que a organização chama de Quadrilátero do Cinema Negro: o Cine Odeon, o Centro Cultural da Justiça Federal, a Banca do André e o Salão Assyrius, no Theatro Municipal, que recebe o Encontro pela primeira vez. A abertura, no dia 21, tem avant-première no Salão Assyrius e cerimônia no Odeon, com acesso restrito a convidados.

Nos dias seguintes, há sessões, debates, rodas de conversa e atividades formativas no Odeon e no Centro Cultural da Justiça Federal. No Odeon, as sessões de 22 e 23 têm ingresso gratuito, com retirada no Sympla, um por pessoa. No dia 22, às 15h, passa Olhos D’Alma, curta de 11 minutos dirigido por Zózimo Bulbul. Às 19h, é a vez de Cadernos Negros, de Joel Zito de Araújo, e às 21h, de O Dia de Jerusa, de Viviane Ferreira.

Quem foi Zózimo Bulbul

A data de abertura foi escolhida para marcar o nascimento de Zózimo Bulbul, nome artístico de Jorge da Silva, nascido no Rio em 21 de setembro de 1937. Ator, cineasta, produtor e roteirista, ele estreou como diretor com o curta em preto e branco Alma no Olho e morreu em 24 de janeiro de 2013.

Segundo a organização, citada pela Alma Preta, Zózimo criou o Encontro como um espaço de reunião entre realizadores negros de diferentes continentes. Rejeitou o modelo competitivo de festival e priorizou a troca e a circulação de filmes. A organização apresenta o evento, hoje, como a maior janela de exibição dedicada a realizadores negros da América Latina. O Centro AfroCarioca de Cinema trata a 19ª edição como um rito de passagem rumo aos 20 anos do Encontro, em 2027, ano em que Zózimo completaria 90 anos.

Clara Moneke e Hilton Cobra

Os homenageados brasileiros da edição são a atriz Clara Moneke e o ator e diretor Hilton Cobra. Clara Moneke, nascida em São Paulo em 1998, ficou conhecida como a Kate de Vai na Fé, de 2023, e viveu a Leona em Dona de Mim, sua primeira protagonista em novelas, na TV Globo.

Hilton Cobra, nascido em Feira de Santana, na Bahia, criou em 2001, no Rio, a Cia dos Comuns, para ampliar a presença de artistas negros no teatro brasileiro contemporâneo. Em 2013, foi nomeado presidente da Fundação Cultural Palmares.

Do Mali, do Senegal e de Cabo Verde

O homenageado internacional é o cineasta malinês Cheick Oumar Sissoko, nascido em 1945 em San, no então Sudão Francês. Ele dirigiu Guimba, un tyran, une époque, de 1995, e foi nomeado ministro da Cultura do Mali em outubro de 2002. Sissoko também esteve na 18ª edição do Encontro, realizada em abril deste ano.

A programação internacional traz ainda o diretor senegalês Yoro Mbaye, com Ndar, a Saga de Waalo, e o cabo-verdiano Nuno Boaventura Miranda, com A Última Colheita. Dia e horário dessas exibições não foram divulgados nas fontes consultadas.

Fontes: Mundo Negro; Centro AfroCarioca de Cinema; Sympla, programação de 22 de setembro e de 23 de setembro; Alma Preta; Wikipédia, verbetes de Zózimo Bulbul, Clara Moneke, Hilton Cobra e Cheick Oumar Sissoko.