Vinte artistas visuais negros do Rio Grande do Sul fizeram, cada um, uma obra inédita sobre afeto, e a raiva entrou na conta. A exposição EU AFETO, realizada pelo Mamangava Lab, abriu na quarta-feira (9) no Museu de Arte do Paço, no Paço Municipal de Porto Alegre, e fica em cartaz até 9 de dezembro, com entrada franca.

Vinte nomes, quatro cidades

Os artistas vêm de Porto Alegre, Pelotas, Rio Grande e Santa Maria. "Cada um dos artistas produziu uma obra", informa o texto de divulgação da mostra. Os trabalhos passam por colagem, desenho, fotografia, instalação e pintura.

Participam Afrokaliptico, Avel, CARCOR, Estêvão da Fontoura, Gustavo Assarian, Josemar Afrovulto, Kayla Calistro, Leandro Machado, Lia Braga, Marcos Porto, Marlon Laurencio, Mitti Mendonça, Pamela Zorn, Paulo Corrêa, Rusha, Thiago Madruga, Tintas Dener, Virgínia Di Lauro, Wagner Mello e Yasmim Lima.

A curadoria é de Laila Garroni. O projeto expográfico é assinado por Thaise Machado, e a identidade visual, por Aline Gonçalves. A realização é do Mamangava Lab.

A raiva também é afeto

A pergunta que atravessa a exposição é o que cabe na palavra afeto. Para a curadora, a resposta vai além do sentimento que costuma ser vendido como afeto. "O trabalho coletivo representa o que é ser uma pessoa negra no mundo, no RS e quais são todos os afetos que nos permeiam. Afeto não é só o que tentam nos dizer o que é esse sentimento romantizado: amor ou carinho, por exemplo", afirma Laila Garroni.

Ela completa: "Também tem que contemplar a nossa raiva, insatisfação, os nossos momentos de solidão e despertencimento. Isso tudo vislumbra a nossa existência".

Segundo a curadora, a ideia foi posta em discussão com os artistas ao longo do processo, que passava por uma autoanálise. "Então, quando eu levantava esses questionamentos e os artistas passavam por um processo de autoanálise, de entender: mas por que realmente eu acho que a minha raiva não é afeto?", conta. E segue: "E aí a gente discutia horas e horas sobre isso, sobre como a raiva, principalmente relacionada ao povo negro, é usada para nos retirar a nossa humanidade".

A exposição, portanto, não trata o afeto só como ternura. Solidão, insatisfação e despertencimento aparecem, na fala da curadora, ao lado do amor e do carinho como parte da mesma existência.

Da parede para a tela

A mostra faz parte de um projeto maior. Laila Garroni dirige o documentário EU AFETO, contemplado pela Lei Paulo Gustavo e com lançamento previsto para 2027.

A exposição conta com recursos do Edital nº 29/2024 de artes visuais da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul (SEDAC), dentro da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).

O Mamangava Lab se apresenta como uma "empresa criativa do setor audiovisual que atua no desenvolvimento, produção executiva, comunicação, curadoria e difusão de projetos culturais com foco em narrativas negras diaspóricas contemporâneas".

Durante a Semana da Consciência Negra, de 16 a 19 de novembro, a programação da mostra prevê atividades especiais.

Serviço

EU AFETO
Local: Museu de Arte do Paço, Praça Montevidéu, 10, Centro Histórico, Porto Alegre
Período: de 9 de setembro a 9 de dezembro de 2026
Horário: de segunda a sexta, exceto feriados, das 9h às 17h. Não abre aos fins de semana.
Entrada franca
Atividades especiais: Semana da Consciência Negra, de 16 a 19 de novembro

Fontes: texto de divulgação do Mamangava Lab, publicado por Notícia Preta e Matinal; Prefeitura de Porto Alegre; Mamangava Lab.