Antes da semifinal do vôlei de praia masculino nos Jogos Sul-Americanos Santa Fé 2026, na Argentina, o perfil de Evandro Gonçalves Oliveira Júnior nas redes sociais foi tomado por comentários com emojis de macacos e bananas. Ele não se manifestou sobre o assunto. Jogou na quarta-feira, 16 de setembro, venceu de virada e, no dia seguinte, conquistou o ouro ao lado de Arthur Lanci.

“Sabe por que ele estava bem? Porque ele está acostumado”

Quem falou publicamente foi Ana, esposa do atleta, em vídeo publicado nas redes sociais: “Aquilo me doeu. Eu liguei para ele e ele estava bem. Sabe por que ele estava bem? Porque ele está acostumado. Não existe estar acostumado. Me dói muito, ninguém é definido pela cor de pele”.

A frase dela é a parte mais dura do episódio, e não está no ataque: está na retenção. Um atleta que recebe a ofensa e segue normal não é um atleta forte, é um atleta que já passou por isso vezes suficientes para ter desenvolvido o hábito.

COB encaminhou o caso à Justiça argentina

O Comitê Olímpico do Brasil foi informado do episódio e encaminhou denúncia à Fiscalía, órgão do sistema de Justiça argentino responsável pela investigação de crimes na região de Rosário, onde a competição foi disputada. O alerta chegou ao comitê por meio do responsável pela missão brasileira do vôlei de praia nos Jogos, Pedro Paladino.

A Confederação Brasileira de Voleibol divulgou nota de repúdio na sexta-feira, 18 de setembro, declarou solidariedade ao atleta e à família e afirmou que trabalha junto com o comitê para levar os elementos disponíveis aos órgãos competentes, contribuir para identificar os responsáveis e acompanhar o caso.

A virada na semifinal

Dentro de quadra, Evandro e Arthur Lanci enfrentaram os argentinos Nicolás e Tomás Capogrosso diante da torcida da casa. Perderam a primeira parcial por 21 a 14, reagiram no segundo set com 21 a 16 e fecharam o tie-break em 17 a 15, garantindo a vaga na final.

O ouro veio contra quem já tinha vencido a dupla

Na decisão, em 17 de setembro, os brasileiros venceram os venezuelanos Esyenser Delgado e Juliangel Vargas por 2 sets a 0, com parciais de 21 a 15 e 21 a 17. Era a mesma dupla que tinha batido Evandro e Arthur na primeira rodada da competição. Parceiros desde 2023, os dois chegaram aos Jogos como a terceira melhor dupla do ranking mundial e disputavam juntos o primeiro Sul-Americano.

Ninguém foi identificado até agora

Não há responsável apontado pelos comentários. A apuração está com a Fiscalía, e nem o Comitê Olímpico do Brasil nem a confederação atribuíram os ataques a qualquer pessoa ou grupo. A dupla adversária na semifinal não foi associada ao episódio por nenhuma das entidades.

Fonte: Notícia Preta, reportagem de Layla Silva, 18 de setembro de 2026. O resultado da final e as parciais foram conferidos fora dessa reportagem, em coberturas do Comitê Olímpico do Brasil e da imprensa esportiva. O nome completo do atleta consta do registro fotográfico da FIVB no Wikimedia Commons.