O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato a presidente, atuou como advogado do cabo da Polícia Militar Bruno Delaroli, acusado de matar Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, em Niterói (RJ), em 2021. Segundo o ICL Notícias, em 2024 ele assinou um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que o caso não fosse a júri popular. O STJ negou. Mais de cinco anos depois da morte da menina, o júri não aconteceu. O caso voltou a circular nesta quarta (30) com um vídeo da atriz Camila Pitanga na série Revelando.

O caso

Em 2 de fevereiro de 2021, Ana Clara brincava na porta de casa, no bairro de Pendotiba, em Niterói, quando foi atingida por tiros de fuzil. Delaroli foi preso em flagrante e denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por homicídio com dolo eventual: segundo a acusação, ele atirou "assumindo o risco de matar". A prisão preventiva foi revogada em novembro de 2021 e trocada por medidas cautelares.

O que a investigação reuniu

De acordo com o ICL Notícias, a perícia recolheu na cena estojos de munição iguais aos usados pelo cabo. Testemunhas negaram que tenha havido troca de tiros e afirmaram que não havia tráfico de drogas no local; moradores gritavam "é morador, é morador" para que os disparos parassem. A viatura não apresentava sinal de confronto. No vídeo da Revelando, o delegado da Polícia Civil que foi ao local diz não ter dúvida de quem atirou.

O recurso

O processo estava perto do júri quando Flávio Bolsonaro passou a integrar a defesa do policial. O recurso que ele assinou pedia ao STJ que revertesse a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de mandar o caso a júri popular. A Corte negou. Com isso, Delaroli aguarda julgamento pelo tribunal do júri, ainda sem data. A reportagem não informa o número do recurso nem a data da decisão do STJ.

O vídeo

O episódio "O julgamento que nunca aconteceu", terceiro da série Revelando, foi publicado nesta quarta. Nele, Camila Pitanga narra o caso e faz a pergunta que abre o vídeo e volta no meio dele: "Por que será que um senador decidiria perder o seu tempo defendendo um cabo acusado de assassinato?". A mãe de Ana Clara, Cristiane Gomes da Silva, aparece no episódio: "Eu só quero que a justiça seja feita".

O que não se sabe

Todo acusado tem direito a defesa, e nenhuma das reportagens aponta ilegalidade na atuação de Flávio como advogado. Também não está claro se ele ainda integra a defesa do cabo. Procurado pelo ICL Notícias, o senador não respondeu.

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Fontes: ICL Notícias (31 de março de 2026, atualizada); Estado de Minas (30 de setembro de 2026); série Revelando, episódio "O julgamento que nunca aconteceu" (30 de setembro de 2026). Imagem: Reprodução/Revelando.