O debate presidencial da Globo, marcado para a noite de quinta-feira (1º), a três dias do primeiro turno, foi cancelado horas antes de ir ao ar. O estopim: o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou uma decisão do TSE e garantiu a participação de Renan Santos (Missão) no debate. Em seguida, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que ele não iria mais, classificando a decisão judicial como "censura". Lula (PT) também já tinha avisado que faltaria. Com os dois favoritos fora, a Globo cancelou o debate inteiro, mesmo com quatro candidatos confirmados e prontos para ir ao ar.
Como Renan Santos entrou no debate
O presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, havia barrado a participação de Renan Santos, candidato do Missão, sob o argumento de que o partido não atinge o mínimo de cinco parlamentares na Câmara exigido para presença automática em debates. Uma ação no STF contra essa decisão foi rejeitada sem análise de mérito pela ministra Cármen Lúcia. Horas depois, Gilmar Mendes reverteu o entendimento e determinou que a Globo incluísse Renan Santos imediatamente. Separadamente, a ministra Estela Aranha havia proibido a emissora de exibir uma cadeira vazia no lugar de Lula e de permitir perguntas direcionadas ao presidente em sua ausência.
A desistência de Flávio
Depois da decisão de Gilmar Mendes, a campanha de Flávio Bolsonaro anunciou que ele não participaria mais. Segundo aliados do candidato, ele "não se submeteria a um encontro com regras alteradas por decisões do Poder Judiciário", e classificaram a interferência como censura. Dias antes, Flávio vinha criticando publicamente Lula por cogitar faltar ao debate, e ele próprio tinha confirmado presença.
Lula também não foi
Lula avisou a Globo previamente que não compareceria: tinha um compromisso já agendado no Flow Podcast na mesma noite. Diferentemente de Flávio, a ausência de Lula não foi anunciada como protesto a uma decisão judicial. Mas a proibição de exibir sua cadeira vazia, decidida por Estela Aranha, mostra que a ausência dele também gerou disputa nos bastidores sobre as regras do debate.
A Globo cancelou com quatro candidatos prontos
Com Lula e Flávio fora, restavam confirmados Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo) e o próprio Renan Santos, justamente o candidato cuja inclusão, decidida horas antes, precedeu a desistência de Flávio. Em vez de seguir com os quatro, a Globo cancelou o debate inteiro. Em nota, a emissora atribuiu a decisão à "insegurança jurídica" criada por decisões de última hora, que teriam alterado regras já combinadas poucas horas antes de o programa ir ao ar, e classificou o episódio como interferência indevida na organização de um debate jornalístico.
A decisão de cancelar tudo, em vez de manter o debate com quem estava pronto para participar, tirou da tevê aberta justamente a estreia de Renan Santos num debate presidencial: o mesmo candidato que a Justiça Eleitoral tinha acabado de barrar e o STF acabado de autorizar.
Uma emissora aborta uma transmissão ao vivo horas antes de ir ao ar, bem no momento em que só restava desagradar o candidato que já tinha ameaçado sair por causa de uma decisão judicial. A Globo diz que foi "insegurança jurídica". Coincidência? Cada um tira sua conclusão.
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Fontes: Money Times (1º de outubro de 2026); Maurílio Júnior, "Gilmar autoriza Renan em debate da Globo e Flávio Bolsonaro desiste de participar" e "TV Globo cancela debate presidencial após decisões de Gilmar Mendes e TSE" (1º de outubro de 2026); O Hoje, "Globo cancela debate presidencial após desistência de Flávio Bolsonaro" (1º de outubro de 2026); Terra (1º de outubro de 2026); Poa24Horas e NC News (1º de outubro de 2026). Foto: reprodução.