Na manhã de 13 de agosto de 2026, a certidão do TSE registrou Flávio Bolsonaro como filiado ao Partido Missão desde a véspera. Sem autorização dele. Sem autorização do PL. O TSE descartou ataque hacker, o que significa que alguém com credenciais reais do Missão executou a filiação deliberadamente.
O TSE reverteu a filiação em horas. Flávio voltou ao PL. Caso encerrado, pelo menos para a imprensa.
Por que a filiação ao Missão era uma armadilha
Filiado ao Missão, Flávio não poderia registrar sua candidatura pelo PL. E não poderia disputar pelo Missão tampouco. O partido já tem candidato presidencial registrado: Renan Santos, o próprio presidente da legenda.
Era um beco sem saída. A filiação não abria nenhuma porta. Só fechava uma. Quem a executou sabia exatamente o que estava fazendo.
Três hipóteses, nenhuma inocente
A primeira e mais sólida: sabotagem da candidatura. Alguém usou o sistema de registro partidário para bloquear o registro de Flávio no prazo. Não para trazê-lo ao Missão, mas para deixá-lo sem partido viável. O timing era cirúrgico: uma filiação indevida detectada tarde inviabilizaria a candidatura sem nenhuma ilegalidade explícita por parte do adversário.
A segunda: operação de desgaste do TSE. Demonstrar que credenciais legítimas de partido podem ser usadas para filiar qualquer pessoa a qualquer sigla cria dúvida sobre a integridade do processo eleitoral antes de 2026. O TSE já foi alvo dessa narrativa em 2022. O playbook foi testado.
A terceira: autossabotagem. A candidatura de Flávio Bolsonaro passava despercebida no noticiário. Agora está na capa de todos os veículos. Vitimização política com retorno de mídia garantido tem custo zero e efeito duradouro numa campanha que ainda não decolou.
O que ficou sem resposta
Renan Santos, presidente do Missão, disse que abrirá investigação interna. Mas se o próprio presidente do partido não sabe quem usou as credenciais da sua sigla, a resposta não virá facilmente, e talvez não convenha a ninguém que ela venha.
O sistema de filiação partidária no Brasil permite que qualquer credenciado de um partido registre a filiação de qualquer cidadão. A gente só ficou sabendo que isso era possível porque a vítima era um pré-candidato à Presidência monitorado de perto. Para um eleitor comum, essa filiação indevida poderia durar meses ou anos sem ser percebida.
Fontes: Metrópoles, O Globo, TSE. 13 de agosto de 2026.