A arcebispa de Cantuária, Sarah Mullally, visitou o Castelo de Cape Coast, em Gana, e reafirmou o compromisso da Igreja da Inglaterra com um fundo de justiça reparadora de 100 milhões de libras.

Cape Coast é uma fortaleza onde pessoas africanas escravizadas ficavam presas antes de atravessar a chamada Porta Sem Retorno, embarcadas para as Américas.

Foi a primeira viagem pastoral dela à África desde que assumiu, em março de 2026, como a primeira mulher a liderar a Comunhão Anglicana.

De onde veio o fundo

O fundo não nasceu de generosidade. Nasceu de uma auditoria.

O levantamento do patrimônio histórico da Igreja revelou ligações financeiras extensas com operações de tráfico de pessoas escravizadas, além da posse de plantações no Caribe por missionários.

Ou seja: a instituição foi verificar de onde vinha o próprio dinheiro e encontrou escravidão na origem.

Sobre a visita, Mullally disse que percorrer o castelo a fez refletir sobre os crimes cometidos pela instituição que ela lidera, e que "parte da crença cristã no arrependimento é sobre ação".

A reação

O fundo enfrenta oposição vocal. Os críticos questionam a base legal e a precisão histórica do levantamento.

Vale reparar no argumento: não se contesta que a escravidão aconteceu, nem que a Igreja lucrou com ela. Contesta-se se é o caso de pagar.

O que isso diz ao Brasil

O Brasil recebeu mais pessoas escravizadas que qualquer outro país das Américas e foi o último a abolir a escravidão, em 1888.

Nenhuma instituição brasileira de porte equivalente fez auditoria pública do próprio patrimônio para descobrir o que nele veio do trabalho escravizado.

A conversa sobre reparação no Brasil ainda trava na pergunta se é devida. Em Cape Coast, ela já está na pergunta de quanto.

Fontes: BBC, Modern Ghana e MyJoyOnline, 31 de julho de 2026.