A Biblioteca Comunitária Maju Coutinho, instalada na sede do CEAP, no bairro da Saúde, no Rio, recebeu na segunda-feira, 31 de agosto, o primeiro lançamento literário desde que foi inaugurada: Saias Rodadas: Pensares de ontem, hoje e sempre, da professora, escritora e intelectual Helena Theodoro.

O encontro durou cerca de três horas e juntou intelectuais negros, integrantes do movimento negro, estudantes e ex-alunos de Helena.

Quem estava na mesa

Ele Semog, presidente do CEAP; o professor e babalawô Ivanir dos Santos, da UFRJ; o professor Rafael Haddock-Lobo, da UFRJ e da UERJ; a diretora-executiva do CEAP, Mariana Gino; a autora; e a jornalista Maju Coutinho, homenageada que dá nome à biblioteca, presente como convidada de honra.

Helena Theodoro carrega, em sua história e em sua escrita, a força de Oyá, a potência do samba e o movimento das transformações. Como uma saia que dança ao vento, seu pensamento não permanece parado: circula, provoca, atravessa gerações e abre espaço para novos olhares. Mariana Gino, diretora-executiva do CEAP

Uma biblioteca na Pequena África

A biblioteca foi aberta pelo CEAP em parceria com a Favelivro, na região que o Rio chama de Pequena África, onde ficam o Cais do Valongo e o Cemitério dos Pretos Novos. É o território de chegada dos africanos escravizados que virou território de guarda da memória. Uma biblioteca ali não é equipamento cultural genérico: é o mesmo endereço mudando de função.

Durante o lançamento, o CEAP anunciou que realizará em novembro o FLIPA, Festival Literário da Pequena África.

O que a saia que roda tem a ver com o pensamento

Referência da filosofia afro-brasileira, Helena Theodoro pega no título uma imagem que qualquer pessoa reconhece e a usa como método: a saia gira, muda de direção e continua contando a mesma história. É o que ela faz com a memória, que no livro não aparece como peça guardada, e sim como coisa que se veste.

Fonte: Portal Geledés, 4 de setembro de 2026. Imagem: TV ALERJ, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.