O iFood anunciou nesta quarta-feira, 16 de setembro, que vai investir R$ 24 bilhões no Brasil entre abril de 2026 e março de 2027, 41% a mais que os R$ 17 bilhões do ciclo anterior. O dinheiro vai para restaurantes, novas categorias, tecnologia e serviços financeiros. A empresa diz ter 600 mil entregadores parceiros, e nenhuma das quatro frentes do plano é voltada a eles.

Para onde vai o dinheiro

O anúncio foi feito pelo presidente-executivo do iFood, Diego Barreto, na abertura do iFood Move 2026, em São Paulo. As quatro frentes são o fortalecimento dos restaurantes, novas categorias como farmácias, mercados, lojas de conveniência e pet shops, tecnologia própria e soluções além do delivery, como o iFood Pago, braço financeiro da empresa.

Segundo o Estadão, R$ 10 bilhões vão para restaurantes e novas categorias e cerca de R$ 5 bilhões para o iFood Pago. Tecnologia deve receber mais de R$ 2 bilhões, incluindo o desenvolvimento de um modelo próprio de inteligência artificial feito em parceria com a Prosus, controladora da empresa.

A plataforma diz reunir 65 milhões de consumidores, 500 mil estabelecimentos e mais de 180 milhões de pedidos por mês. E 600 mil entregadores.

O que a empresa diz fazer por quem entrega

Ao Estadão, o iFood afirmou que prevê crescimento de quase 20% no volume total de renda gerada para os entregadores, "dos quais mais da metade vem de aporte direto do iFood", e que a rede de pontos de apoio nas cidades, com banheiro, bebedouro, tomada e internet, cresceu 90%.

Em junho, a empresa lançou o Minha CNH, que paga até 90% da primeira carteira de motorista de moto. São mil vagas, na Grande São Paulo e no Rio de Janeiro, para quem está ativo na plataforma há cerca de seis meses. Quem tirar a habilitação pelo programa ganha 14 dias de aluguel de moto pela Mottu, empresa parceira que também oferece condições para aluguel e compra.

Os R$ 30 bilhões do governo são para carro

Na segunda-feira, 14, o presidente Lula sancionou a prorrogação do Move Brasil Táxi e Aplicativos, linha de R$ 30 bilhões em crédito subsidiado. Ela financia veículos novos e usados para taxistas, motoristas de aplicativo e, a partir de agora, vans escolares. O teto subiu para R$ 200 mil e os juros são de 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres, segundo a Folhapress. O programa acabaria no dia 15 e agora segue até o fim dos recursos.

Para quem entrega de moto, a linha é outra: o Move Brasil Entregadores e Motoapp, anunciado pelo governo em junho e em operação desde 27 de julho. Ele financia até 100% de motos, motonetas, ciclomotores e bicicletas elétricas novas, sem entrada, em até 48 meses, com dois meses de carência e juros abaixo de 1% ao mês, menores para mulheres. É preciso ter pelo menos seis meses de cadastro numa plataforma e cem corridas ou entregas feitas.

Desde agosto, o Banco do Brasil tem parceria com o iFood para identificar entregadores elegíveis e oferecer esse financiamento. Até meados daquele mês, o banco tinha desembolsado R$ 17,1 milhões na linha, segundo a CNN Brasil.

A taxa mínima de R$ 10

A reivindicação central da categoria não é crédito, é remuneração. O Projeto de Lei 2479/2025, apresentado na Câmara pelos deputados Guilherme Boulos (PSOL-SP), Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), Túlio Gadêlha (Rede-PE) e outros, fixa pagamento mínimo de R$ 10 por entrega de até 4 quilômetros, mais R$ 2,50 por quilômetro adicional e R$ 0,60 por minuto de espera a partir do 11º minuto. O texto também cria regras de transparência e obriga seguro contra acidentes.

Um dos defensores do projeto é JR Freitas, motoboy e candidato a deputado estadual em São Paulo pelo PSOL. Segundo o site Boca Notícias, ele integra o grupo de trabalho criado pelo governo federal para propor melhores condições para a categoria e participou da elaboração do projeto.

Análise: o investimento que não chega na rua

Esta parte é análise do Poder Afrikano. Um plano de R$ 24 bilhões diz o que a empresa considera o centro do negócio. Restaurante, mercado, farmácia e inteligência artificial aparecem com nome e cifra. O entregador aparece como número de base, 600 mil, e como beneficiário de programas com mil vagas.

Nada disso é ilegal, e a empresa aponta aumento de renda para a categoria. Mas a diferença de escala é o dado. O pedido que sai do restaurante e chega à porta passa pelas mãos de quem, no plano, não tem frente própria. A resposta para quanto vale uma corrida, por enquanto, está num projeto de lei.

Fontes: Central do Varejo; Estadão Conteúdo, via Notícias ao Minuto; iFood; Folhapress, via Portal 6; CNN Brasil; Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Câmara dos Deputados; Boca Notícias.