Ativistas moçambicanos denunciam um cerco crescente às vozes críticas no país. A denúncia não é abstrata, e o histórico recente sustenta cada parte dela.

O jornalista que sumiu

Arlindo Chissale, que se destacou como defensor do líder opositor Venâncio Mondlane, está incomunicável desde 7 de janeiro de 2025.

Mais de um ano e meio sem notícia.

O jornal que foi queimado

A sede do Canal de Moçambique, jornal investigativo privado que apura corrupção estatal, foi incendiada por agressores não identificados.

O ataque veio depois que o jornal publicou contratos confidenciais entre o governo e empresas de exploração de gás natural liquefeito.

A estrutura por trás dos casos

Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras, boa parte dos veículos moçambicanos é controlada, direta ou indiretamente, pelas autoridades ou por membros da Frelimo, o partido no poder.

Missões de observação eleitoral da União Europeia registraram cobertura desequilibrada nas eleições municipais de 2023 e nas gerais de 2024.

Durante manifestações, a polícia age com violência contra jornalistas que cobrem os protestos. Nas eleições de 2023, ativistas denunciaram cortes de internet, e organizações de liberdade de expressão levaram o caso ao tribunal de Maputo, que proibiu as operadoras de bloquear a rede.

Por que isso importa aqui

Moçambique é um país de língua portuguesa com mais de 30 milhões de habitantes, e o noticiário brasileiro quase não olha para lá.

O gás natural moçambicano move contratos bilionários com empresas internacionais. Quando o jornal que publica esses contratos é incendiado, o assunto deixa de ser interno.

Um jornalista desaparecido há mais de um ano em um país lusófono deveria ser notícia no Brasil. Não é.

Fontes: DW África, Repórteres Sem Fronteiras e IJNet, julho e agosto de 2026.