João Tomé (1920-1971), músico negro e cego, deixou mais de 500 músicas, a maior parte escrita em braille. A história dele virou Nem Todos Sabem, documentário selecionado para a Mostra Brasília de longas do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Quem foi

Compositor, poeta e professor, João Tomé nasceu em Uberaba, em Minas Gerais, e foi um dos fundadores da Escola de Música de Brasília.

“Essa biografia apresenta um músico que veio para cá antes mesmo de Brasília existir. Um homem cego de nascimento que, por meio da música, superou todas as barreiras físicas e estruturais de raça, classe e inclusão”, diz a diretora, Edileuza Penha de Souza.

O filme

Nem Todos Sabem tem 83 minutos, direção de Edileuza Penha de Souza e roteiro dela com Vera Maria Tomé. Junta depoimentos de familiares, amigos e companheiros de caminhada a um acervo raro de arquivos. A trilha sonora é do próprio João Tomé.

“Eu espero provocar o desejo de conhecer a história de Brasília e de seus pioneiros, que vai além da Esplanada”, diz a diretora.

O caminho até a tela foi longo. O projeto ganhou o edital do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, e aí veio a pandemia, que impediu a filmagem naquele período. “Amigos importantes do JT que estariam no filme morreram. Quando fomos fazer o filme, o dinheiro não era mais suficiente”, lembra Edileuza. O filme foi financiado pela Lei Paulo Gustavo e pelo FAC-DF.

Onde ver

O 59º Festival de Brasília vai de 11 a 19 de setembro. Nem Todos Sabem passa em sessões da Mostra Brasília que reúnem outros filmes da seleção:

Quinta, 17 de setembro: às 18h, no Cine Brasília, e às 19h45, no Complexo Cultural de Planaltina e na Universidade Católica de Brasília, em Taguatinga.
Sexta, 18 de setembro: às 15h, na Sala 2 do Cine Cultura Liberty Mall.
Classificação indicativa: 10 anos.

Fontes: Notícia Preta, Brasil de Fato, programação oficial do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e acervo Choro Patrimônio (UFPel).