O atacante colombiano Kevin Viveros, do Athletico Paranaense e líder da artilharia do Campeonato Brasileiro, publicou no domingo, 13 de setembro, uma foto ao lado da esposa e dos dois filhos. Nos comentários, um perfil deixou emojis de macaco. A Delegacia Móvel de Atendimento a Futebol e Eventos do Paraná, a Demafe, já identificou o autor, morador de Matinhos, no litoral do estado.
O post, os comentários e o perfil apagado
O ataque aconteceu dois dias depois do Athletiba, disputado na sexta-feira, 11, no Couto Pereira, em Curitiba, pela 27ª rodada do Brasileirão. A partida terminou 3 a 3. Viveros marcou de pênalti o terceiro gol do Athletico, chegou a 18 gols no campeonato e manteve a liderança da artilharia. O gol também o fez superar Luis Suárez na lista de estrangeiros com mais gols em uma temporada de estreia no Brasileirão, segundo o Notícia Preta.
O perfil usado para escrever o comentário foi apagado depois que as denúncias começaram a circular. A associação do responsável com a torcida do Coritiba foi feita por páginas e internautas que acompanharam o caso nas redes, e não pelas autoridades.
O que diz a polícia
Segundo o delegado Luiz Carlos de Oliveira, da Demafe, ouvido pelo ge, a polícia aguarda uma definição de Viveros sobre uma eventual denúncia formal. Independentemente dessa decisão, a ocorrência será registrada e encaminhada ao Ministério Público. "Casos como esse não podem ser normalizados", afirmou o delegado.
A nota do Athletico
O clube se manifestou na segunda-feira, 14. Em nota, disse repudiar "com veemência" os atos de racismo dirigidos ao atleta e informou que adotará todas as medidas cabíveis e acompanhará de perto as investigações. O texto afirma ainda solidariedade ao jogador e à família, com apoio e assistência.
O trecho final da nota é o que interessa guardar: "Racismo é crime. Não é provocação, não é brincadeira e não é rivalidade. É uma conduta inaceitável que não pode ser tolerada sob nenhuma circunstância, seja na internet, nos estádios ou em qualquer outro ambiente da sociedade."
O que a lei prevê
Desde 11 de janeiro de 2023, quando foi sancionada a Lei 14.532, a injúria racial é tratada como crime de racismo, com pena de 2 a 5 anos de reclusão e multa. Esta matéria não afirma qual crime será imputado ao autor identificado: essa definição cabe às autoridades.
Por que isso não é caso isolado
Esta parte é análise do Poder Afrikano. O que separa este episódio de tantos outros é o alvo escolhido. Não foi a jogada, não foi o pênalti, não foi o resultado. Foi uma foto de família. O ataque não mirou o atleta em campo, mirou o homem com a mulher e os filhos, fora do jogo, onde a desculpa da rivalidade não se sustenta nem por um segundo.
É por isso que a frase da nota do clube importa: rivalidade é uma coisa, racismo é outra, e a confusão entre as duas é justamente o que garante a impunidade. Enquanto o crime for tratado como excesso de torcedor, ele continua barato.
Fontes: Notícia Preta; Alma Preta; CNN Brasil; Lei 14.532, no Planalto.