O terceiro episódio de Lanternas, exibido no domingo 30 de agosto, alcançou 10 milhões de espectadores no mundo e 7 milhões nos Estados Unidos nos três primeiros dias, segundo dados da Warner Bros. Discovery apurados pelo The Wrap. É o maior número da série até agora, e ela vem crescendo semana a semana.
A estreia, em 16 de agosto, tinha feito 9,3 milhões no mundo e 6,6 milhões nos Estados Unidos, e o episódio piloto já passou de 20 milhões acumulados. É a maior estreia de uma série da DC Studios na HBO Max, acima de It: Bem-Vindos a Derry, Pinguim e True Detective: Night Country. Vale a ressalva: as três tiveram médias de temporada maiores, de 27,1, 19,8 e 17,5 milhões.
O episódio que puxou o número
O terceiro episódio conta a origem de John Stewart, o Lanterna Verde vivido por Aaron Pierre, ao lado de Kyle Chandler como Hal Jordan. E é aqui que a série faz o que quase nenhuma adaptação de super-herói faz.
A revelação do episódio é que o pai de John foi recusado pelos Guardiões, a força alienígena que escolhe os Lanternas, por ter admitido que sentia medo. Depois disso, passou décadas treinando o filho para não sentir medo nenhum, com métodos que a série mostra sem suavizar, e o menino cresceu dentro desse projeto.
A pergunta que organiza o episódio aparece em cena: é justo perguntar a um homem negro nos Estados Unidos se ele tem medo? Quem seleciona nunca tinha pensado nisso. O critério parecia universal e não era, porque ser destemido no mundo também é um privilégio, e não é distribuído por igual.
Por que isso não é detalhe de roteiro
A conversa que famílias negras têm com os filhos sobre como se comportar para voltar vivo para casa é assunto conhecido de quem a tem. Levá-la para a escala intergaláctica, e transformá-la no teste de admissão de uma corporação de heróis, é o que a Andscape aponta como o achado da temporada: o pai treina o filho para ser destemido num mundo que trata o filho como coisa a ser temida.
O preço aparece na conta. Um menino criado para não sentir medo é um menino a quem foi negado ter medo, e a série trata isso como perda, não como superpoder.
Fontes: Mundo Negro, 4 de setembro de 2026, para os números de audiência; Andscape, análise de David Dennis Jr. sobre o terceiro episódio, para a leitura racial. Imagem: Kevin Paul, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.