O volante Luizão, do CRB, levou à arbitragem uma denúncia de racismo na noite de quarta-feira (9), no Estádio Germano Krüger, em Ponta Grossa, durante a derrota por 3 a 0 para o Operário-PR. Ele estava no banco de reservas quando, segundo o relato registrado na súmula, ouviu de um torcedor do time da casa a frase “senta aí, cabelo de presidiário”.
O que está na súmula
A partida valia pela 27ª rodada da Série B e começou às 20h30. O árbitro Arthur Gomes Rabelo, do Espírito Santo, registrou que, aos 14 minutos do primeiro tempo, o atleta número 50 do CRB, Luiz Gustavo Novaes Palhares, o Luizão, foi até o quarto árbitro e relatou ter sido alvo de manifestação verbal de racismo por parte de um torcedor do Operário. O documento anota a frase dirigida a ele e acrescenta que nenhum integrante da equipe de arbitragem em campo viu ou ouviu o episódio.
Luizão estava entre os reservas e não entrou em campo: a súmula lista o nome dele no banco e não registra nenhuma substituição com ele. A frase foi dirigida ao jogador ali, no banco.
Ainda segundo a súmula, o torcedor foi identificado e retirado da torcida, ficando à disposição das autoridades, e o clube mandante o conduziu para o registro de um boletim de ocorrência. O nome do torcedor não foi divulgado.
A frase mirou o cabelo
A ofensa não fala de lance, de passe errado ou de placar. Mira o cabelo do jogador e o associa à prisão. Foi Luizão quem a identificou como racismo e a levou à arbitragem, ainda aos 14 minutos do primeiro tempo.
Até a publicação desta matéria, nenhuma fala direta de Luizão sobre o episódio havia sido publicada. Em nota, o CRB informou que o jogador “compareceu à autoridade policial”.
Para o Operário, uma “ocorrência”
O Operário se manifestou por meio de nota assinada pelo Departamento Jurídico. O texto diz que o clube “tomou conhecimento de ocorrência envolvendo o atleta Luizão, da equipe visitante, e um torcedor… identificando o torcedor, encaminhando-o à autoridade policial e preservando as imagens”.
A palavra “racismo” não aparece na nota. O que Luizão levou ao quarto árbitro como manifestação de racismo virou, no texto do clube mandante, uma ocorrência entre um atleta e um torcedor.
Segundo a CBN Ponta Grossa, o Operário diz ter entregue imagens e áudio das câmeras à Justiça Desportiva, à polícia e ao Judiciário.
Repúdio em Alagoas
Do lado alagoano, a Federação Alagoana de Futebol divulgou nota de repúdio na quinta-feira (10), segundo a Gazeta de Alagoas. O CRB, clube de Maceió, também tratou o caso publicamente e confirmou a ida do jogador à polícia.
Como a arbitragem não viu nem ouviu o que aconteceu, o registro do caso se apoia em três pontos: o relato de Luizão ao quarto árbitro, a identificação do torcedor pelo próprio clube mandante e as imagens e o áudio que o Operário diz ter preservado e entregue às autoridades.
Fontes: súmula da partida, CBF; NE45; aRede; CBN Ponta Grossa; Notícia Preta; Gazeta de Alagoas.