Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) são os quatro primeiros colocados na pesquisa Quaest divulgada na segunda (28), e os mesmos quatro nomes aparecem à frente no Datafolha e na Futura/100% Cidades. A poucos dias do primeiro turno, o Poder Afrikano reuniu o que cada um votou, assinou ou disse sobre cinco pautas de quem vive de salário: a escala 6x1, a isenção do Imposto de Renda, o salário mínimo, a aposentadoria e a CLT.

1. O fim da escala 6x1

A proposta de emenda à Constituição reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, com duas folgas por semana e sem corte de salário. Passou na Câmara e foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado em 2 de setembro; a votação no plenário do Senado ficou para depois do primeiro turno. Segundo o Senado, a mudança alcança mais de 37 milhões de trabalhadores.

Flávio critica a PEC: diz que ela "vai gerar desemprego em massa" e defende o pagamento por hora trabalhada. Lula é a favor do fim da 6x1. Caiado chegou a chamar a proposta de "eleitoreira" e, três dias depois, disse "Sim, sou a favor". Cury se diz a favor da escala 5x2.

2. Imposto de Renda zero até R$ 5 mil

Desde janeiro, quem ganha até R$ 5 mil por mês não paga Imposto de Renda. Para compensar, a lei criou uma cobrança mínima sobre quem ganha mais de R$ 50 mil por mês. O relator fala em perto de 25 milhões de beneficiados.

Lula sancionou a lei e promete ampliar a isenção. No Senado, onde o projeto passou por unanimidade e sem registro nominal de votos, Flávio apoiou a isenção, mas pediu mudanças no texto e chamou de "confisco" a cobrança sobre profissionais liberais. Em junho, defendeu manter a isenção. De Caiado e de Cury, não encontramos posição pública sobre o tema.

3. Salário mínimo

O salário mínimo é de R$ 1.621. Uma lei aprovada no fim de 2024 limitou o ganho acima da inflação a 2,5% ao ano e mudou regras do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Segundo o Dieese, 61,9 milhões de pessoas têm renda ligada ao mínimo.

Flávio votou Não ao projeto que criou esse teto. Lula sancionou o limite, e o programa dele promete valorização do mínimo. Caiado disse que não pretende mexer no salário mínimo. Cury promete reajuste pela inflação mais 1% ao ano.

4. Aposentadoria e BPC

Hoje nenhuma aposentadoria do INSS e nenhum BPC pode ser menor que o salário mínimo. O mercado financeiro pressiona para que os benefícios sejam desligados do mínimo.

Segundo a Reuters, a campanha de Flávio promete um drástico ajuste nas contas públicas, sem dizer o que vai cortar. Pressionada sobre a desvinculação, a campanha disse em 25 de setembro que vai manter as aposentadorias ligadas ao mínimo. Sobre o BPC, não disse nada. Lula afirmou em 2024 que o mínimo "não será mexido" e, segundo o InfoMoney, descartou desligar dele pensões e BPC. Caiado não detalhou planos para a idade mínima. Cury descarta uma nova reforma da Previdência.

5. A CLT

O programa de Flávio registrado no TSE defende o "negociado sobre o legislado", em que o acordo entre empresa e trabalhador pode valer mais que a CLT. O de Lula prevê combate à pejotização fraudulenta. O de Caiado fala em "modernização" do mercado de trabalho, sem detalhar. De Cury, não encontramos posição pública.

Quem fica com o que o trabalhador produz

Jornada, salário, imposto e aposentadoria decidem quanto do que o trabalhador produz fica com ele. Em Consciência Afrikano-Centrada versus Nova Ordem Mundial, Amos Wilson retoma de Marcus Garvey uma ideia: um povo só tem poder econômico quando é dono do que produz, e não quando apenas trabalha e consome.

Para ler Amos Wilson, veja o catálogo completo da Editora Poder Afrikano.

Fontes: Quaest via Metrópoles (28 de setembro de 2026); Datafolha; Futura/100% Cidades; Agência Senado; Agência Câmara; Senado Federal, votação nominal do PL 4.614/2024; Reuters via UOL (25 de setembro de 2026); InfoMoney; CNN Brasil; Metrópoles; Poder360; Estadão via Terra; Dieese, Nota Técnica 289; programas de governo registrados no TSE. Fotos: Ricardo Stuckert/PR; Agência Senado; Bianca Kida.