Cartas com santinhos de Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Marco Feliciano e outros candidatos de São Paulo e de Minas Gerais chegaram pelo correio com a foto do pastor Silas Malafaia e a frase "O pastor Silas Malafaia indica". O endereço do remetente é o da sede da associação do pastor, revelou o Intercept Brasil.
O remetente
O envelope traz como remetente a Estrada do Guerengue, 1851, na Taquara, no Rio de Janeiro. É a sede da Associação Vitória em Cristo, embora o nome da associação não apareça no envelope. Só o panfleto de São Paulo teve 300 mil exemplares, segundo o Intercept.
O que o endereço prova é o remetente, não quem pagou. O nome de Malafaia não aparece nas prestações de contas dos candidatos à Justiça Eleitoral.
O que dizem os especialistas
Para Fernando Neisser, da Fundação Getulio Vargas (FGV), se o envio partiu da associação, é ilegal: associação não pode mandar propaganda eleitoral, e a multa vai de R$ 5 mil a R$ 20 mil. Bruno Andrade, da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), lembra que entidade religiosa não pode ceder o cadastro de fiéis a candidatos.
"Querem me calar"
Num dos panfletos, Malafaia escreve: "Querem me calar com calúnias, difamações e atingir a nossa igreja".
O pastor é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) desde abril de 2026 por injúria contra generais do Alto Comando do Exército. A ação penal foi aberta em agosto e não tem sentença. No inquérito da coação, ele segue investigado, sem denúncia: a Procuradoria-Geral da República denunciou Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo.
O dinheiro
São três entidades diferentes, e não se misturam. A Associação Vitória em Cristo é a do endereço das cartas. A igreja é a Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que devia R$ 46,4 mil à União em agosto de 2025. A editora do pastor, a Central Gospel, devia R$ 16,98 milhões, segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), no mesmo levantamento.
As igrejas, em geral, já têm imunidade de impostos e ganharam em 2021 o perdão da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), estimado pelo governo em R$ 1,4 bilhão em quatro anos. Não há prova de que a igreja de Malafaia tenha usado esse benefício.
O outro lado
Tarcísio de Freitas diz que não produziu nem custeou o material. Marco Feliciano diz que não consegue identificá-lo. A associação e Malafaia não responderam ao Intercept.
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Fontes: The Intercept Brasil (02/10/2026); STF (28/04/2026); A Tarde (18/08/2026); STF (agosto de 2025, inquérito da coação); Metrópoles via BNews (dívidas na PGFN, 23/08/2025); Correio Braziliense, no clipping do Senado (18/03/2021). Foto: Marcos Corrêa/PR.