Em 9 de agosto de 1956, cerca de 20 mil mulheres marcharam até os Union Buildings, em Pretória, sede do governo sul-africano. Levavam uma petição com mais de 100 mil assinaturas contra as leis de passe, que obrigavam pessoas negras a carregar documento para circular e trabalhar no próprio país.

Entregaram a petição e ficaram paradas. Trinta minutos em silêncio absoluto.

Da luta daquelas mulheres saiu a frase que virou lema na África do Sul: quando você bate numa mulher, bate numa rocha. A data é feriado nacional desde 1995. Neste domingo, faz 70 anos.

Quem estava na frente

Lilian Ngoyi e Sophia Williams-De Bruyn, as duas vindas da indústria têxtil. Helen Joseph, uma imigrante inglesa. Rahima Moosa, sul-africana de família indiana.

Ngoyi tinha sido enfermeira e costureira, e trabalhava como operadora de máquinas numa fábrica têxtil. Em 1954 virou a primeira mulher eleita para o executivo nacional do Congresso Nacional Africano. Sophia tinha 18 anos naquele dia, a mais jovem das quatro.

E a federação que organizou a marcha, criada em 1954, teve entre as fundadoras Ray Alexander Simons, uma imigrante da Letônia. Ela chegou à África do Sul em 1929, aos 15 anos, mandada para longe pela mãe por causa da perseguição a judeus e comunistas. Chegou fugindo.

Setenta anos depois

A luta contra o apartheid foi feita, sobretudo, por sul-africanos negros. Mas teve ajuda de fora, e parte dessa ajuda estava na frente daquela marcha.

O país que hoje dá prazo para estrangeiro sair foi libertado, em parte, por gente que tinha vindo de fora.

O preço

Quatro meses depois da marcha, em dezembro de 1956, Ngoyi foi presa entre os 156 acusados no julgamento de traição. Em 1963, passou 71 dias sozinha numa cela. De 1962 a 1972 viveu sob ordens de banimento, que restringiam aonde podia ir e com quem podia falar.

Fontes: South African History Online, Wikimedia Commons e Africanews, 2026.