Uma médica do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, é alvo de denúncia ao Ministério Público Federal (MPF) depois que mensagens enviadas a um grupo de trabalho pediram para não dar alta a pacientes no fim de semana da eleição "porque a maioria é petista". A reportagem é do Jornal Opção.

"Não dar alta pra ninguém"

Segundo o Jornal Opção, a médica escreveu na noite de quinta-feira, 1º de outubro, num grupo de WhatsApp da equipe: "Boa sexta a todos. Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta pra ninguém, a maioria é petista". O sábado e o domingo citados são 3 e 4 de outubro — data em que o Brasil vota no primeiro turno da eleição geral de 2026.

Uma segunda mensagem, aos estagiários

Mais Goiás e Farol da Bahia apontam uma segunda mensagem, enviada na tarde de sexta-feira, 2 de outubro, dessa vez voltada a estudantes de medicina em rodízio na unidade: "Domingo, quem colocar 22 finaliza o rodízio com nota 10" — número de urna do candidato Jair Bolsonaro. O Farol da Bahia diz que a mensagem veio acompanhada de uma figurinha do ex-presidente.

A defesa: "era brincadeira"

Procurada pelo Jornal Opção, a médica disse que a mensagem "era brincadeira" feita num grupo privado, e afirmou que jamais tomaria decisão clínica ou de avaliação com base no voto de alguém, até porque o voto é secreto. Não há, até agora, declaração pública dela fora dessa resposta ao jornal.

Como veio à tona

Segundo Portal 6 e Mais Goiás, uma estagiária subordinada à médica viu as mensagens no grupo e levou o print ao advogado Alan Henrique Marques, que formalizou denúncia ao MPF por suspeita de crime eleitoral e abuso de autoridade — a unidade é pública, ligada à Prefeitura de Goiânia. Em paralelo, o vereador Fabrício Rosa (PT-GO) deu publicidade às mesmas mensagens e apresentou denúncia própria ao MPF, à Justiça Eleitoral e à Prefeitura.

O que dizem hospital e conselho

O Jornal Opção publicou nota da instituição afirmando que o hospital não toma posição política, que a fala reflete opinião pessoal da profissional e que decisões clínicas seguem exclusivamente critério médico, além de abertura de apuração interna — nota que Portal 6, Mais Goiás e Farol da Bahia, até suas publicações, diziam não ter obtido. O CREMEGO (Conselho Regional de Medicina de Goiás) confirmou a Portal 6 que pediu esclarecimentos à profissional e que toda denúncia é apurada em sigilo.

Até a publicação desta matéria, a história seguia restrita à imprensa de Goiás — sem repercussão nos grandes veículos nacionais.

Uma médica de hospital público escreve, por escrito, num grupo de trabalho, que o critério para manter alguém internado é o partido em que a pessoa provavelmente vota. Se a frase foi “brincadeira”, alguém explica à paciente que passar o fim de semana internada sem necessidade também foi.

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Fontes: Jornal Opção (02-03/10/2026, publicação original); Portal 6 (03/10/2026); Mais Goiás (03/10/2026); BNews (03/10/2026); Farol da Bahia (03/10/2026); Brasil em Folhas (03/10/2026). Imagem: ilustrativa, gerada por inteligência artificial.