Naruna Costa recebeu o Kikito de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Cinema de Gramado de 2026 pelo papel de Maria Tereza em Pele de Rinoceronte. O longa estreou no festival, e a atuação dela foi aplaudida na exibição.

Maria Tereza é advogada criminalista. Na trama, responde pela estratégia de acusação de um homem envolvido em um feminicídio inspirado no caso de Ângela Diniz.

O lugar da personagem

Em entrevista ao Notícia Preta, a atriz explicou por que esse lugar importa. "Ela é uma advogada negra, bem-sucedida, nos anos 1980, o que é contrário ao que se esperava ver de uma mulher negra no Brasil naquela época", afirmou.

Sobre a alegria de interpretá-la, disse: "Tem coisas que são particularmente especiais e fundamentais para mim. Apresentar essa personagem negra, com todas as suas potências, que se compreende e não se conforma, é uma delas."

A virada não está no prêmio. Está na função que a personagem ocupa dentro da história. Não é a empregada nem a vítima. É quem monta a acusação.

A tese que ela tenta derrubar

Durante décadas, a chamada legítima defesa da honra foi usada no Brasil para justificar crimes cometidos contra mulheres. Em assassinatos de companheiras e esposas, o homem alegava ter agido para preservar ou lavar a própria honra, e parte da responsabilidade pela violência acabava transferida para quem tinha morrido.

É contra essa lógica que a personagem trabalha. "O filme tem essa função de não se conformar, e a Maria Tereza é a representação dessa inconformidade. Ela vai até os últimos momentos para derrubar a tese de legítima defesa", diz a atriz.

Os aplausos

A recepção do público na pré-estreia foi, para ela, um dos momentos mais marcantes da exibição. "Esse momento dos aplausos, que dizem ser tão raros em uma pré-estreia em Gramado, fez com que eu me sentisse recebida de uma forma incrível. Sinto que, mais do que qualquer coisa, a mensagem chegou às pessoas. Elas foram impactadas, e isso é o mais importante", afirmou.

Quem ela levou junto

Perguntada sobre o que emprestou de si à construção do papel, ela apontou a agonia e a inconformidade. "Eu tenho essa inconformidade, e a Maria Tereza também. Acho que é nossa essa agonia e essa inconformidade com a naturalização das violências."

E respondeu com nomes: "Nessa personagem, eu consigo honrar quem veio antes. Eu levei Ruth de Souza, Marielle Franco e tantas outras mulheres negras que são minhas inspirações comigo."

Fonte: Notícia Preta, reportagem de Layla Silva.