Quarenta acervos de memória negra de todo o país estão juntos no Ibirapuera. Abriu no sábado (26), no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, em São Paulo, a exposição Nzo: Memórias Afro-brasileiras, a primeira mostra da Rede de Acervos Afro-brasileiros.

A curadoria é compartilhada pelas próprias iniciativas que formam a rede. A abertura fechou o 3º Encontro da Rede de Acervos Afro-brasileiros, nos dias 25 e 26, com o tema "Memória e territórios: estratégias para construir o futuro em Rede".

O que está lá

O Memorial Mãe Menininha do Gantois, de Salvador, é apresentado como o primeiro espaço museal do país dedicado à trajetória de uma personalidade religiosa afro-brasileira. O acervo reúne mais de 500 peças.

O ZUMVÍ Acervo Afro Fotográfico foi idealizado em 1990 por Lázaro Roberto, Aldemar Marques e Raimundo Monteiro, "três jovens negros das periferias de Salvador", e guarda cerca de 30 mil negativos sobre a cultura afro-baiana.

O Quilombo São Pedro, em Eldorado, no Vale do Ribeira (SP), foi fundado em 1825 por Bernardo Furquim e Roza Machado, "pessoas negras libertas". A Casa de Memória do quilombo reúne pilões, ferros de passar, cadernos de música e fotografias.

O Ilê Asé Odé Ibualamo, de Carapicuíba (SP), liderado por Mãe Zana, perdeu mais de 90% do acervo material em dezembro de 2022, quando o espaço foi demolido durante obras de canalização e os assentamentos sagrados foram soterrados.

Também estão na rede a Casa de Oxumarê, terreiro de Salvador tombado como patrimônio nacional em 2014; o Ipeafro, que guarda o acervo de Abdias Nascimento; a Casa Sueli Carneiro, com mais de 4 mil documentos, livros e registros; e a Cafua das Mercês, em São Luís, prédio que funcionou como depósito e espaço de comércio de pessoas escravizadas.

Memória com gente dentro

"Quando falamos em preservar a memória afro-brasileira, falamos também das histórias, dos territórios e das pessoas que dão sentido a esses patrimônios", disse Jandaraci Araújo, diretora-executiva da Associação Museu Afro Brasil, à Alma Preta.

Serviço

A mostra fica até 28 de fevereiro de 2027. O museu abre de terça a domingo, das 10h às 17h, com permanência até as 18h. A entrada custa R$ 15 (meia de R$ 7,50) e é gratuita às quartas-feiras.

Preservar é também escrever a própria história. Veja o catálogo completo da Editora Poder Afrikano.

Fontes: Museu Afro Brasil (página da exposição, "Planeje sua visita" e apresentação das iniciativas participantes); Alma Preta (25 de setembro de 2026); Africas. Foto: Slyronit, via Wikimedia Commons.