Sabrina Fidalgo em Berlim
Sabrina Fidalgo em Berlim, 2012. Foto: Hypergirl / CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons.

No sábado, 15 de agosto, O Projeto abriu a Mostra Competitiva de Longas Documentais Brasileiros do 54º Festival de Cinema de Gramado.

É o primeiro longa de Sabrina Fidalgo, codirigido com o fotógrafo suíço Yvan Rodic, e levou seis anos sendo filmado em vários países. O documentário investiga os efeitos históricos e atuais do colonialismo europeu e da supremacia branca no Sul e no Norte globais, com depoimentos de Djamila Ribeiro, Erika Hilton e Grada Kilomba. Fidalgo define a obra como ensaística, performativa e poética.

O detalhe que está na ficha técnica

A divisão da direção é o argumento do filme, e não um dado de produção. Uma diretora negra brasileira, de um país colonizado. Um fotógrafo branco suíço, de um país que nunca teve colônia.

Só que a segunda metade dessa frase é menos limpa do que parece.

O país que não teve colônia

Um estudo da Universidade de Lausanne concluiu em 2005 que suíços participaram do financiamento de cerca de 1,5% do transporte de aproximadamente 11 milhões de pessoas escravizadas para as Américas.

A casa comercial Christoph Burckhardt e Cia., da Basileia, comprou cotas de 21 viagens negreiras entre 1783 e 1815. Tecidos, armas e álcool saíam da Suíça para a África Ocidental e voltavam convertidos em café e algodão.

Não é um país de fora da história colonial. É um país que ficou com a parte de dentro do lucro e sem a parte de fora da cobrança. Sem bandeira fincada em território nenhum, não há monumento para derrubar nem pedido de desculpas para cobrar. O capital circulou do mesmo jeito.

Onde assistir

O Projeto é produzido pela Gullane, em coprodução com Fidalgo Produções, Globo Filmes, GloboNews e Canal Brasil. O festival vai até 22 de agosto, e a estreia em circuito está marcada para 19 de novembro.

Fontes: Mundo Negro (17 de agosto de 2026), Coletiva.net, Museu Nacional Suíço e Universidade de Lausanne.