O Observatório de Produções Afro Acadêmicas, ou OPA, foi lançado em agosto de 2026. É um repositório aberto da produção acadêmica de pesquisadoras e pesquisadores negros vinculados ao ensino superior brasileiro, idealizado pela pesquisadora Livia Albuquerque.
A reportagem que noticiou o lançamento, publicada em 24 de agosto pela Revista Afirmativa, registrava o balanço do primeiro mês: 107 produções, 74 pesquisadores, 32 instituições de ensino superior e 14 estados.
Abrimos a plataforma na noite de 26 de agosto para conferir o número antes de publicar, e voltamos a abri-la na madrugada de 27. Nas duas leituras, o painel marcava 261 produções, 147 pesquisadoras e pesquisadores, 94 organizações no mapa e 24 estados alcançados.
Dois dias separam a reportagem da primeira leitura. No intervalo, o acervo mais que dobrou.
Uma ressalva sobre a comparação: produções, pesquisadores e estados são o mesmo indicador nas duas datas, e por isso podem ser comparados. Já as 32 instituições de ensino superior citadas na reportagem e as 94 organizações do mapa não medem a mesma coisa. O mapa reúne núcleos de estudo, coletivos estudantis, ligas, entidades acadêmicas, grupos de pesquisa e redes profissionais negras, e não apenas universidades.
O que o nome quer dizer
A sigla não é só sigla. A própria plataforma explica que o nome vem de ọ̀pá, palavra iorubá para cajado, símbolo de autoridade.
É um detalhe pequeno que diz o que o projeto se propõe a fazer. Não se trata de arquivar produção intelectual negra em um canto, e sim de afirmar autoridade sobre ela.
O problema que ele tenta resolver
Livia Albuquerque diz que o observatório nasce de uma pergunta sobre onde está a produção acadêmica negra brasileira e quem está conseguindo encontrá-la.
Existe uma produção ampla e diversa, mas muitas vezes ela permanece restrita aos espaços onde foi produzida. Queremos contribuir para que esse conhecimento circule, seja reconhecido e possa chegar a mais pessoas. Livia Albuquerque, idealizadora do OPA, à Revista Afirmativa
Há um segundo ponto na fala dela, e é o que separa este projeto de um repositório temático. A produção de pesquisadores negros não deve ser acessada apenas quando o assunto da pesquisa é relação racial.
Pesquisadores negros produzem conhecimento em economia, comunicação, saúde, direito, educação, tecnologia, engenharia, ciências humanas e em todas as áreas. O OPA existe para tornar essa produção visível. Livia Albuquerque, idealizadora do OPA, à Revista Afirmativa
O acervo confirma isso na prática. Entre as produções recentes listadas na plataforma aparecem trabalhos de psicologia clínica, de saúde na escola pública, de cobertura jornalística da letalidade policial e de políticas públicas para o autismo.
Como entrar
O cadastro é gratuito. Exige autodeclaração de preto ou pardo, vínculo com o ensino superior brasileiro e autorização para que a produção fique disponível no observatório. Antes de entrar no repositório, cada envio passa por análise editorial.
A plataforma vai além do acervo. Mantém um diretório de pesquisadoras e pesquisadores, um mapa de organizações negras por estado, uma seção de indicadores oficiais sobre a presença negra no ensino superior com a fonte primária citada em cada número, uma agenda e uma lista de chamadas abertas.
Por que o número sobe
Um contador que mais que dobra em dois dias não sobe sozinho. Sobe porque alguém cadastrou, e alguém cadastra porque alguém avisou.
Se você conhece uma pesquisadora ou um pesquisador que devia estar nessa lista, o caminho é curto: a plataforma é observatorioafro.com.br.
Fontes: Revista Afirmativa, 24 de agosto de 2026. Painel do Observatório de Produções Afro Acadêmicas, em observatorioafro.com.br, lido em 26 de agosto de 2026 às 23h30 e reconferido em 27 de agosto de 2026 às 00h30.