Um estudo do Instituto Vladimir Herzog pôs preço numa operação policial e, no mesmo documento, mostrou em quem ela caiu. Os dois números só significam alguma coisa juntos.

O que foi a Operação Escudo

Uma operação da Polícia Militar de São Paulo na Baixada Santista, iniciada no fim de julho de 2023, depois que o soldado da ROTA Patrick Bastos Reis foi morto.

Foram 28 mortes em 40 dias na primeira fase. A concentração é o dado que descreve a natureza da coisa: entre 27 e 31 de julho de 2023, nos dias imediatamente seguintes à morte do policial, pelo menos 12 civis morreram.

A Operação Verão veio na sequência e foi até abril de 2024. Somadas, as duas resultaram em 84 mortes, três delas de policiais. Em fevereiro de 2024 houve dois dias com sete mortes cada.

A referência que o relatório usa

São consideradas as ações policiais mais letais de São Paulo desde o massacre do Carandiru, que matou 111 pessoas em 1992. Não é comparação retórica: é a régua que o próprio estudo aplica para dimensionar o que aconteceu.

Quem morreu

O relatório fala em letalidade seletiva e aponta tortura. A violência não se espalhou pela Baixada Santista de forma difusa: concentrou-se em jovens negros das periferias.

O que os R$ 349,9 milhões incluem

Não é o orçamento da operação. É o custo estimado da primeira fase, e o cálculo soma mobilização policial, sistema de Justiça, perícia, encarceramento, perda de capital humano das vítimas e outras despesas públicas associadas.

Dito de outro jeito: é a conta que o Estado paga para produzir os próprios mortos, e ela chegou a quase 350 milhões de reais em 40 dias.

Por que os dois números precisam ficar juntos

Separados, cada um vira outra discussão. O dinheiro sozinho vira debate de eficiência orçamentária. As mortes sozinhas viram estatística de segurança pública, que o país aprendeu a ler sem se mexer.

Juntos, dizem uma coisa só, e ela não admite paráfrase confortável: gastou-se quase R$ 350 milhões numa operação em que 82 de cada 100 mortos eram negros. Três anos depois, alguém finalmente fez essa conta.

Fontes: Instituto Vladimir Herzog, Ponte Jornalismo e CNN Brasil, julho e agosto de 2026.