A proposta que acaba com a escala 6x1 andou nesta quinta-feira, 27 de agosto, depois de passar três meses parada no Senado.
O relator Omar Aziz apresentou parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça. Ele rejeitou as 12 emendas apresentadas por senadores e manteve o texto exatamente como a Câmara dos Deputados aprovou, no fim de maio. A votação na comissão é esperada para a semana seguinte. Depois dela, o plenário.
A espera
A proposta chegou ao Senado em maio e ficou. Só foi despachada para a comissão em 21 de agosto, pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre. Uma semana antes, em 14 de agosto, ele já havia listado a matéria entre as prioridades da pauta.
No intervalo, os argumentos para não pautar foram públicos. A oposição alegou que ano eleitoral não é momento de votar uma pauta dessas. Representantes dos empregadores preferiram esperar as eleições passarem.
Em 26 de agosto, uma reunião entre Alcolumbre, o presidente Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta, tratou a proposta como prioridade do Congresso.
Três meses é o tempo que a proposta esperou. Não é o tempo que quem trabalha na 6x1 esperou, porque essa pessoa continuou trabalhando na 6x1 o tempo inteiro.
A escala tem cor
Aqui está o dado que raramente entra no debate sobre jornada de trabalho.
Nas jornadas mais pesadas da construção civil, trabalhadores negros passam de 65%. E quem está na escala 6x1 ganha, em média, 58% a menos do que quem está na 5x2. Os números são do Dossiê Fim da Escala 6x1, do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas, e de levantamentos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.
Não é uma pauta trabalhista que por acaso atinge pessoas negras. É uma pauta racial que se apresenta como trabalhista.
O que a escala tira
Seis dias de trabalho para um de descanso não é apenas cansaço acumulado. É uma estrutura que decide, na prática, o que cabe na vida de alguém.
Estudar à noite depois do sexto dia é possível para poucos. Acompanhar a rotina escolar de um filho, com um domingo por semana, é matemática apertada. Participar de reunião de associação de bairro, de sindicato, de mandato coletivo, de qualquer coisa que exija presença regular em horário fixo, é quase inviável.
A escala não proíbe nada disso. Ela só torna caro demais.
E quando a mesma população que já enfrenta menor renda, pior transporte e pior acesso à cidade é também a que está sobrerrepresentada nessa jornada, o efeito se acumula. Falta de tempo é uma forma de desigualdade que não aparece em holerite.
O que vem agora
Com o parecer favorável do relator, a proposta segue para votação na comissão e, se aprovada, vai ao plenário do Senado, onde uma emenda à Constituição precisa passar em dois turnos.
O texto que está em jogo é o que a Câmara aprovou em maio, sem as 12 emendas que os senadores tentaram acrescentar.
A proposta esperou três meses por uma assinatura. A conta desses três meses foi paga por quem trabalhou seis dias em cada sete durante todos eles.
Fontes: Senado Notícias, 21 e 27 de agosto de 2026, sobre o despacho para a comissão e o parecer do relator Omar Aziz. Dossiê Fim da Escala 6x1, do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas. Alma Preta e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, sobre composição racial e rendimento na escala 6x1.