Em 20 de novembro de 2024, Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, estudante de medicina, morreu com um tiro no abdômen dentro do saguão de um hotel na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.
O disparo partiu do soldado Guilherme Augusto Macedo. Segundos antes, o soldado Bruno Carvalho do Prado desferiu um chute contra o rapaz.
Dois processos, duas conclusões opostas
A própria Polícia Militar apurou a conduta dos dois.
Sobre Macedo, o relatório final do processo administrativo disciplinar classificou a ação como desnecessária e excessiva. O capitão que conduziu a apuração registrou que ele demonstrou ser refratário aos valores e deveres policiais militares e não reunia condições ético-morais de permanecer na corporação. A comissão recomendou a expulsão.
Sobre Prado, o Conselho de Disciplina recomendou o arquivamento. O argumento foi que ele não contribuiu para o disparo e que o chute seria golpe legal previsto nos manuais da corporação.
O que a instituição não fez
Os dois se tornaram réus. A Justiça negou o pedido de absolvição sumária apresentado pela defesa, e ambos vão a júri popular.
Prado seguia em liberdade, submetido a medidas cautelares fixadas pelo juízo, até 3 de agosto de 2026, quando foi preso pela Corregedoria da Polícia Militar.
Não pela morte do estudante. A decisão apontou que, enquanto cumpria aquelas medidas, ele se envolveu em episódio de ameaça e lesão corporal contra a própria esposa, em contexto de violência doméstica e familiar, e que a prisão era necessária para garantir a ordem pública. Ele está no Presídio Militar Romão Gomes, unidade que abriga apenas policiais militares.
Quem discordou
A corporação examinou esse homem e concluiu que ele não havia feito nada de errado. O chute estava no manual.
Quem discordou foi a mulher que morava com ele.
Quando a instituição se examina, ela se absolve. O que a tira dessa posição não costuma vir de dentro.
Fontes: CNN Brasil, Metrópoles, Ponte Jornalismo, Notícias ao Minuto e Folha de S.Paulo, 2024 a 2026.