O Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura publicou em 7 de agosto de 2026 o relatório de uma inspeção feita em março nas unidades prisionais do Distrito Federal. O documento aponta que 72,7% das pessoas presas no DF são negras.

Brancos são 16,5%. Em 10% dos casos a raça sequer foi registrada.

A diferença entre a rua e a cela

Na população geral do Distrito Federal, pessoas negras são 59,4%. Atrás das grades, 72,7%.

São treze pontos percentuais de distância entre estar no mundo e estar preso. Essa distância não é acaso estatístico. É o retrato de quem a polícia aborda, de quem o sistema condena e de quem fica sem defesa paga.

O Centro de Internamento e Reeducação

Numa unidade a conta fica ainda mais nítida. No Centro de Internamento e Reeducação, 80% dos 3.026 presos são negros.

A unidade foi projetada para 1.527 pessoas e abrigava 2.988. Uma taxa de ocupação de 196%, quase o dobro da capacidade.

O relatório descreve o quadro como política de encarceramento em massa da população negra e parda na unidade federal.

O que o número obriga a perguntar

O Distrito Federal é a unidade da federação com a maior renda média do país. Tem a sede dos três poderes. É o lugar onde as leis são escritas.

E é ali que a distância entre a cor de quem anda na rua e a cor de quem dorme na cela aparece com essa clareza.

Fonte: Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura e Revista Afirmativa, 7 e 12 de agosto de 2026.