O samba de São Paulo gira milhões, e o poder público segue longe da roda. Uma pesquisa divulgada na quarta (23) mapeou 56 rodas e comunidades de samba nas cinco regiões da capital paulista.

A pesquisa

O levantamento foi feito pelo Observatório Ibira30 e pelo Bloco do Beco, do Jardim São Luís, com a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FespSP). Entre novembro de 2025 e junho de 2026, ouviu 1.267 pessoas e 41 organizadores.

A conta

Com público médio estimado em 450 pessoas por evento e gasto médio de R$ 108,30 por frequentador com transporte e lazer, uma única edição de cada uma das 56 rodas movimenta cerca de R$ 2,7 milhões, perto de R$ 48,7 mil por evento.

Não é o valor do mês nem do ano. É uma edição só. A conta é a descrita pela Agência Mural a partir da metodologia da pesquisa.

Quem está na roda

Quem está na roda também está nos números: 72,8% do público se declara preto (44,2%) ou pardo (28,6%). Na zona sul, o índice chega a 80%.

O apoio que não chega

O dinheiro gira, mas o apoio não chega. Para 57,5% dos organizadores, o diálogo com o poder público é ruim ou não existe. Três em cada quatro apontam falta de recursos, e a primeira barreira para acessar editais é a burocracia.

"Os fomentos, os editais e as políticas de incentivo muitas vezes não chegam, de fato, às rodas de samba", diz Alexandre Marques, pesquisador do Observatório Ibira30.

Bate Fundo, Samba da Vela, Pagode da 27, Samba do Bixiga, Samba do Chinelo: a cidade conhece os nomes. Falta a política pública conhecer o endereço.

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Fonte: Agência Mural (23 de setembro de 2026), com dados da pesquisa do Observatório Ibira30, do Bloco do Beco e da FespSP. Foto: Joalpe, via Wikimedia Commons.