Em carta datada de 2 de julho de 2026, o rei Mohammed VI comunicou ao presidente dos Estados Unidos a decisão de nomear a via expressa Tiznit a Dakhla como Donald J. Trump Highway.

São 1.055 quilômetros, a rodovia mais longa do continente africano. Ela liga Tiznit a Laayoune e a Dakhla, cidades no Saara Ocidental, território disputado sob controle marroquino.

O que está sendo pago

A carta é explícita sobre o motivo. O reconhecimento americano, em 2020, da soberania marroquina sobre o Saara Ocidental, segundo o rei, "permanecerá para sempre na memória dos marroquinos" e deu às relações bilaterais um impulso sem precedentes.

Ele descreve a via como eixo estratégico que une o norte e o sul do Marrocos e liga a Europa ao continente africano, e diz que ela unifica o país do mesmo modo que a liderança do presidente americano aproximou as duas nações.

Trump agradeceu em 26 de julho, na plataforma dele, dizendo que espera um dia percorrer a rodovia inteira.

O detalhe que a manchete não carrega

A rodovia atravessa justamente o território cujo status é objeto da disputa.

O Saara Ocidental é reivindicado pela Frente Polisário e pelo povo sarauí, e a maior parte da comunidade internacional não reconhece a soberania marroquina ali. Batizar a estrada que corta esse território com o nome de quem reconheceu a soberania não é homenagem apenas: é a inscrição de um reconhecimento diplomático no mapa, em asfalto.

O padrão

Um chefe de Estado africano dá o nome de um presidente estrangeiro à maior obra viária do continente, em agradecimento por um aval geopolítico.

Não é corrupção nem escândalo. É a normalidade de uma relação em que o reconhecimento vem de fora e a gratidão se materializa dentro.

Fontes: Al Jazeera, Bloomberg e Hespress, julho e agosto de 2026.