No sábado, 15 de agosto, na convenção de 50 anos da NABJ, em Atlanta, a associação nacional dos jornalistas negros dos Estados Unidos entregou a Stephen A. Smith o prêmio Polegar para Baixo.
A entidade não apontou uma frase. Apontou um padrão: comentários públicos e recorrentes que depreciam mulheres negras de destaque na política, no esporte e na mídia. Segundo a NABJ, esse padrão reforça narrativas nocivas e prejudica a representação justa e respeitosa das mulheres negras no debate público.
A entidade disse os nomes
A NABJ citou a ex-vice-presidente Kamala Harris, a deputada Jasmine Crockett e o desentendimento público com a jornalista Joy-Ann Reid.
A presidente da associação, Errin Haines, resumiu a decisão: se a entidade vai levar a sério a defesa dos jornalistas negros e do próprio jornalismo, então às vezes é preciso dizer os nomes.
Três coisas que o caso não é
Não é um prêmio criado para ele. O Polegar para Baixo existe há anos, ao lado do Polegar para Cima, e faz parte do repertório normal da entidade.
Não foi entregue só a ele. No mesmo sábado o Polegar para Baixo foi também para a CBS News, para o Washington Post, para o presidente da FCC, Brendan Carr, e para o empresário DuJuan McCoy. Foi a maior leva da história da entidade.
Não é cancelamento. É uma categoria profissional cobrando publicamente de quem fala em nome dela. Smith já disse que vai rebater a associação, e esse direito é dele.
Quem paga a conta
Fica a pergunta que o prêmio coloca: o que acontece quando o microfone negro mais alto do país aponta para a mulher negra?
Amos Wilson deu nome a esse mecanismo. Em Violência Preta Contra Preto, ele trata a agressão entre pessoas negras não como desvio individual, mas como a violência da dominação redirecionada para dentro do próprio grupo, contra quem tem menos poder de revidar.
Um homem negro com o maior microfone do país mirando mulheres negras é o exemplo em estado puro. O livro explica o mecanismo e não absolve quem o aciona. O que a NABJ fez é a outra metade da história: o grupo se recusando a deixar passar.
Fontes: Capital B News (17 de agosto de 2026), The Root e theGrio.