Halle Berry como Tempestade nos filmes X-Men
Halle Berry como Tempestade nos filmes X-Men. Reprodução: 20th Century Fox.

Em 14 de agosto de 2026, no D23, evento da Disney na Califórnia, Kevin Feige anunciou o elenco do novo filme dos X-Men no Universo Cinematográfico Marvel. Maya Boyd foi confirmada como Tempestade. A estreia está marcada para 5 de maio de 2028, com direção de Jake Schreier e roteiro de Michael Lesslie.

Boyd tem 23 anos, nasceu em Ann Arbor, no Michigan, e se formou em Teatro Musical pela Universidade de Michigan. Ficou conhecida ao viver Julieta em “& Juliet”, musical da Broadway. É a estreia dela no cinema: a Marvel entregou uma das personagens mais importantes do catálogo a uma atriz que nunca apareceu em tela.

O anúncio veio junto com o resto da equipe: Sadie Sink como Jean Grey, Kit Connor como Ciclope, Christopher Abbott como Professor X, Samara Weaving como Emma Frost, Inde Navarrette como Vampira e Adam Driver como o vilão Sr. Sinistro. Os X-Men não se reuniam nas telas desde “Fênix Negra”, de 2019.

Quem é Ororo Munroe

Agora a parte que quase não aparece na cobertura. Nos quadrinhos, Ororo Munroe é filha de N'Dare, princesa de um povo do Quênia, com o fotojornalista americano David Munroe.

Ela nasceu em Manhattan, foi levada para o Cairo com seis meses e perdeu os pais em um ataque aéreo quando ainda era criança. Descende de uma linhagem de sacerdotisas africanas e, antes de ser encontrada por Charles Xavier, era cultuada como deusa por comunidades africanas.

A origem africana não é detalhe de biografia. É a estrutura da personagem: uma divindade da chuva num continente onde chuva é a diferença entre colheita e fome.

Três atrizes, 26 anos

No cinema, o papel foi de Halle Berry, nascida em Cleveland, Ohio, na trilogia iniciada em 2000, e de Alexandra Shipp, nascida em Phoenix, Arizona, em “Apocalipse” (2016) e “Fênix Negra” (2019). Com Maya Boyd, de Ann Arbor, são três atrizes em 26 anos de franquia.

Nenhuma das três é africana.

Isso não diz nada sobre o talento de nenhuma delas. Berry construiu a personagem para o público de cinema, e Shipp assumiu o papel numa fase difícil da franquia. O que está em questão é outra coisa: um roteiro que herda uma personagem africana e entrega, três vezes seguidas, uma personagem americana.

A África como cenário

Quando a origem aparece nos filmes, aparece como paisagem: um trecho no Cairo, uma referência solta. O Quênia de N'Dare, a linhagem de sacerdotisas, a relação com as comunidades que a cultuavam: nada disso chegou à tela em 26 anos.

Há tempo para mudar. O filme só estreia em 2028, e Boyd inicia a carreira no cinema já com a personagem mais poderosa do elenco nas mãos. A pergunta que fica é se o roteiro vai tratar a África dela como origem ou como locação.

Fonte: Mundo Negro, 15 de agosto de 2026.