“Foram 21 anos fazendo parte dessa escola, onde construí grande parte da minha trajetória como sambista.” Foi assim que a médica e apresentadora Thelminha anunciou, nas redes sociais, na segunda-feira, 1º de setembro, o fim da parceria com a Mocidade Alegre.
Vinte e um anos é carreira inteira. É mais tempo do que muita gente passa num mesmo emprego, e bem mais do que dura a maioria das passagens por uma escola de samba.
Ela não entrou pela porta da fama
Thelminha ficou conhecida do país pela televisão. Na Mocidade Alegre o caminho foi outro, e começou de baixo. Na própria publicação de despedida ela lista as funções que ocupou ao longo desses 21 anos: ritmista, passista, destaque de chão e destaque da comissão de frente.
É uma escada que se sobe por dentro, com anos de quadra e de ensaio, e não por convite de celebridade. Vale dizer isso com todas as letras, porque a versão mais fácil dessa história seria a da apresentadora famosa que apareceu na avenida. Não é essa.
Oito de treze
No período em que ela esteve na escola, a Mocidade Alegre conquistou 13 títulos no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo. Thelminha integrou oito deles.
Entre esses oito estão o bicampeonato de 2023 e 2024 e o título deste ano. Em 2026 ela desfilou na comissão de frente representando a atriz Léa Garcia, homenageada pela escola no desfile.
A despedida
Ela dedicou parte da publicação à comunidade da Morada do Samba, sede da agremiação, antes de reforçar o que a passagem significou.
Ser sambista é um privilégio e ter pertencido à Mocidade Alegre sempre será motivo de orgulho Thelminha, na publicação de despedida
Segundo a reportagem, ela encerra o ciclo com tranquilidade. Diz que os desfiles inesquecíveis e a certeza de que essa história guarda capítulos que continuarão sendo lembrados tornam a despedida mais leve.
O que ela não disse
Thelminha não detalhou os próximos passos da carreira no Carnaval. Não informou se vai desfilar por outra escola, nem se pretende voltar à avenida.
O carnaval paulista é território preto e quase nunca é contado por dentro, pela trajetória de quem sobe na avenida ano após ano. Vinte e um anos numa mesma quadra, subindo função por função, é exatamente esse tipo de história.
Fonte: Mundo Negro, reportagem de Carolina Viana, 2 de setembro de 2026.