No sábado, forças federais etíopes e a Frente Popular de Libertação do Tigray voltaram a se enfrentar perto da aldeia de Shererina, no oeste do Tigray. O combate durou até domingo, com artilharia pesada e ataques de drone.

É a escalada mais séria da região desde o fim da guerra civil, quatro anos atrás.

Para onde as pessoas correram

Centenas de etíopes atravessaram a fronteira para o Sudão nos dois dias seguintes.

O Sudão está em guerra. Entre os que chegaram havia combatentes feridos, atendidos e levados para al-Hashaba, a quinze quilômetros da fronteira, um lugar que já abriga milhares de deslocados da guerra de 2020 a 2022 entre o exército etíope e os rebeldes do Tigray.

Ou seja: gente fugindo de uma guerra para um campo formado por gente que fugiu da mesma guerra, dentro de outra guerra.

O acordo que está rachando

Os confrontos violam o acordo de paz mediado pela União Africana em 2022.

Os dois lados acusam o outro de querer reabrir o conflito. As autoridades do Tigray dizem que as forças federais lançaram uma ofensiva. O governo federal responde que as forças regionais provocaram.

Quem estiver certo, o efeito é o mesmo: um acordo de três anos foi rompido com drone e artilharia, e quem atravessou a fronteira não vai voltar tão cedo.

Por que você não viu isso

A guerra do Tigray, entre 2020 e 2022, está entre os conflitos mais letais deste século, e passou pela imprensa brasileira como nota de rodapé.

Agora ela está voltando, e a cobertura segue do mesmo tamanho.

Fontes: Al Jazeera, AFP via Addis Standard e allAfrica, 3 de agosto de 2026.