Duane Davis, conhecido como Keffe D, foi condenado na segunda-feira, 31 de agosto, por um júri de Las Vegas, pelo assassinato de Tupac Shakur. O crime pelo qual ele responde é assassinato em primeiro grau com uso de arma letal, a categoria mais grave do homicídio nos Estados Unidos, aplicada quando o júri entende que a morte foi intencional e premeditada.

O rapper foi baleado em 1996, na mesma cidade onde o julgamento aconteceu agora. Entre o crime e a condenação passaram-se quase três décadas.

Ninguém sustentou que ele atirou

Os promotores nunca afirmaram que Davis puxou o gatilho. A acusação que prevaleceu foi outra: a de que ele orquestrou o ataque. Segundo o Ministério Público, a motivação foi retaliação por uma briga anterior envolvendo o sobrinho dele, Orlando Anderson, o Baby Lane, que teria sido agredido por Tupac e por integrantes do grupo do rapper pouco antes do crime.

Davis é a única pessoa já formalmente acusada por essa morte. Uma, em quase trinta anos.

O agravante que a acusação abandonou

Um detalhe diz muito sobre como este caso foi apurado. A acusação levou ao julgamento um agravante por envolvimento de gangues organizadas e desistiu dele no meio do processo. O motivo, segundo o vice-procurador-chefe do distrito, Binu Palal, foram questões logísticas relacionadas a testemunhas.

Não é um detalhe técnico qualquer. É o reconhecimento, em pleno julgamento, de que a parte da acusação que dependia de gente disposta a falar não se sustentava depois de tanto tempo.

Três quilômetros

Tupac tinha 25 anos. Levou quatro tiros e morreu seis dias depois, no University Medical Center de Las Vegas. O hospital fica a menos de três quilômetros do tribunal onde Davis foi julgado.

Quando o veredicto foi lido, Sekyiwa Shakur, a Set, irmã do rapper, chorou na sessão.

A pena sai em outubro

A sentença será conhecida em 13 de outubro. Até lá, Davis segue sob custódia, sem direito a fiança. Quem decide a pena é a juíza Carli Kierny, e ela pode chegar a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

Vale dizer o que uma condenação como essa é e o que ela não é. Ela encerra um processo. Ela não devolve os anos em que o caso ficou parado, nem explica por que uma morte tão pública levou quase trinta anos para produzir um único réu.

Fonte: Mundo Negro, reportagem de Carolina Viana.