O júri dos dois acusados de matar o cabeleireiro Valdir Macário, marcado para a quinta-feira, 10 de setembro, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, foi adiado outra vez. A nova data é 6 de outubro, às 8h, no mesmo fórum.
O pedido chegou minutos antes do início da sessão. Ivan Jezler, advogado de Edgar da Silva Santos, um dos réus, foi internado durante a madrugada no Hospital Mater Dei com um quadro viral que se agravou, e informou que não conseguiria comparecer.
“Infelizmente, pela sétima vez, o júri é adiado em razão de um pedido do advogado”, disse ao jornal A TARDE Alonso Guimarães, que atua como assistente de acusação em nome da família. Ao Portal Massa, ele pediu que a Defensoria Pública assuma a defesa se o advogado voltar a faltar.
Valdir Macário foi morto a tiros em 12 de novembro de 2016, aos 45 anos, dentro do próprio salão, na Avenida Vasco da Gama. Homens armados entraram no estabelecimento e atiraram contra ele enquanto trabalhava. Fugiram sem levar nada.
Ele era cabeleireiro, pesquisador e referência na estética afro. O salão que montou na Vasco da Gama reunia de artistas a militantes do movimento negro, e o trabalho dele era sobre cuidado, autoestima e valorização da identidade negra. “Valdir sempre foi um pesquisador nato de tudo que ele buscou fazer”, disse a irmã Idy Macário à Revista Afirmativa. Ela conta que ele insistia com as clientes: “Não adianta ser bonita e não ser inteligente.”
Quem responde pelo crime
Patric Ribeiro Tupinambá, conhecido como “Bagão”, e Edgar da Silva Santos, o “Chocolate”, respondem por homicídio qualificado. O Ministério Público da Bahia aponta Edgar como mandante e Patric como executor, e sustenta que a motivação foi vingança.
Vale dizer com todas as letras: isso é acusação, não condenação. Os dois ainda não foram julgados, e é essa a função da sessão marcada para 6 de outubro. A imprensa baiana também registra que houve um terceiro envolvido, que nunca foi identificado.
Seis datas frustradas
A conta dos adiamentos muda conforme quem conta. O advogado da família fala em sete. O Instituto Odara e a imprensa baiana listam seis datas em que o júri não aconteceu: 8 de julho de 2025 e, em 2026, 23 de abril, 10 de junho, 6 de agosto, 25 de agosto e 10 de setembro.
Em 6 de agosto a sessão chegou a começar e foi suspensa às vésperas do veredito: o advogado de Patric abandonou a defesa, um defensor público precisou assumir e o juiz decidiu julgar os dois acusados juntos. Em 25 de agosto o pedido chegou na véspera, porque o advogado de um dos réus tinha outro processo no mesmo horário. Em 10 de setembro, a internação do advogado de Edgar.
Cada adiamento tem uma justificativa razoável por escrito: agenda, ausência, conflito de horário, doença. Somadas, as justificativas razoáveis viraram quase dez anos.
A espera da família
“Já é o sexto adiamento. Mesmo após quase dez anos do crime, seguimos vivendo essa espera tão dolorosa e enfrentando a impunidade”, disse Elen Vitória, sobrinha de Valdir, ao Instituto Odara.
“Tantos adiamentos me fazem pensar que é para nos silenciar”, tinha dito Idy Macário à Revista Afirmativa, dois dias antes da sessão.
Um processo que não anda não é um detalhe de procedimento. É a diferença entre uma família saber o que aconteceu e uma família envelhecer esperando.
Fontes: A TARDE, Portal Massa, Instituto Odara, Revista Afirmativa e Fala Genefax.