A Controladoria-Geral da União apontou superfaturamento de R$ 1,3 milhão na execução do programa DNA do Brasil Talentos, que atendeu 63 municípios do Tocantins.
O programa foi lançado no governo Bolsonaro, com participação da então ministra Damares Alves. A promessa era identificar talentos esportivos entre estudantes da rede pública.
Entre os itens comprados com dinheiro público estavam redes de vôlei, de basquete e de futebol entregues a escolas que não tinham quadra.
Técnicos da CGU visitaram unidades de ensino e encontraram o material armazenado, sem uso. Não havia onde montar.
Não houve critério
A auditoria concluiu que não existiam critérios para definir quanto material cada município receberia. O caso dos apitos resume o método.
Em Colinas do Tocantins, três escolas participantes receberam dois apitos profissionais. Em Paranã, duas escolas receberam trinta.
O sobrepreço não ficou no material esportivo. A CGU identificou superfaturamento também em encomendas a gráficas, em produtos de papelaria e no serviço de desenvolvimento de um aplicativo de celular.
O uniforme prometido no projeto tinha camisa, calção, meiões, boné, garrafa e mochila-saco. Segundo a auditoria, nenhum aluno recebeu o conjunto completo.
O que sobra depois da foto
Programas assim rendem anúncio, corte de fita e imagem de governo que cuida da juventude pobre. O que chega na ponta é outra coisa.
A criança que ia ser descoberta pelo programa recebeu uma rede e nenhum lugar para pendurar.
O dinheiro desviado de um programa esportivo em escola pública não é um problema de esporte. É de que essa criança seguiu sem quadra, sem uniforme e sem aula, enquanto o valor cobrado pelo apito subia.
Fonte: The Intercept Brasil, 21 de julho de 2026, com base em auditoria da Controladoria-Geral da União.