Em julho de 2026 a Confederação Africana de Futebol anunciou a maior premiação da história da Copa Africana de Nações feminina. A campeã passa a levar 2 milhões de dólares, o dobro do 1 milhão que a campeã da edição anterior recebeu. A vice sobe para 750 mil, um aumento de 50 por cento. O bolo total vai de 3,475 milhões para 5,8 milhões de dólares.

É recorde. Isso é verdade, e não é pouco: dobrar a premiação de uma competição feminina em uma única edição é um movimento real.

O número que a CAF não pôs no anúncio

O campeão da AFCON masculina desta temporada leva 10 milhões de dólares.

Mesma confederação. Mesmo continente. Mesma temporada. Cinco vezes mais.

Vale desmontar o que esse número significa. O recorde histórico do lado delas equivale a um quinto do que já é rotina do lado deles. Dobrar não encosta quando o ponto de partida é esse: para a campeã feminina alcançar o que o campeão masculino recebe hoje, a CAF precisaria dobrar a premiação delas mais duas vezes seguidas, e ainda assim os homens não podem receber nenhum aumento no caminho.

E há uma segunda camada, que este portal já tratou na semana passada. Esse dinheiro vai para a federação, não para a jogadora. As atletas do Senegal receberam o bônus da Copa Africana com nove meses de atraso, e só no dia do embarque, porque avisaram que sem pagamento ninguém entraria no avião. Aumentar o repasse não resolve sozinho o que acontece depois que ele chega.

O torneio que está acontecendo agora

A edição de 2026 é disputada no Marrocos, em Rabat e Casablanca, e é a primeira com 16 seleções, contra 12 nas anteriores.

Sete times já garantiram vaga nas quartas de final: Nigéria, Marrocos, África do Sul, Malawi, Camarões, Costa do Marfim e Argélia. A oitava vaga sai nesta quinta-feira, em Gana contra Mali, às 20h GMT, em Casablanca. Gana precisa apenas do empate.

A Nigéria chega como a maior potência da competição: 10 títulos e nenhuma final perdida em toda a história do torneio. O Marrocos joga em casa depois de perder a final da edição passada para as nigerianas, de virada, tendo aberto 2 a 0. A África do Sul foi campeã em 2022. O Malawi está na primeira participação e estreou vencendo a Nigéria por 3 a 2.

Por que isso interessa a quem está no Brasil

As quatro seleções que chegarem à semifinal estão automaticamente classificadas para a Copa do Mundo de 2027, que será disputada no Brasil.

Quer dizer: as quartas de final de sábado são, na prática, eliminatória de Copa do Mundo. Quatro dessas equipes vão jogar em solo brasileiro daqui a menos de dois anos, diante de um público que hoje não sabe o nome de uma única jogadora delas.

Isso dá tempo de mudar antes do primeiro apito. Mas não muda sozinho.

Fontes: CAF e Al Jazeera, julho e agosto de 2026.