Zélia Amador de Deus morreu na terça-feira, 8 de setembro, em Belém, aos 74 anos. O governo do Pará decretou três dias de luto oficial. A Universidade Federal do Pará, onde ela passou mais de cinco décadas, fez o mesmo.
Ela nasceu em Soure, na ilha do Marajó, em território quilombola. Entrou na UFPA como aluna de Letras em 1971, virou professora em 1978 e ensinou Teatro, Estética e História da Arte. Dirigiu o Centro de Letras e Artes entre 1989 e 1993 e foi vice-reitora da universidade de 1993 a 1997.
O Cedenpa e Durban
Em 1980 ajudou a fundar o Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará, o Cedenpa, que passou a atuar no reconhecimento de territórios quilombolas e contra a discriminação no trabalho. Em 2001 integrou a delegação brasileira na Conferência Mundial contra o Racismo, em Durban, na África do Sul.
Foi decisiva nas discussões que criaram a reserva de vagas na universidade e o acesso de estudantes quilombolas. Em 2020, ela disse ao Jornal Beira do Rio, publicação da própria UFPA: "não tenho dúvida de que as políticas de ação afirmativa mudaram o perfil da UFPA".
Também era do palco
Estreou como Catirina em Coronel de Macambira, em 1972, fez Suely em Quarto de Empregada em 1976 e, no mesmo ano, fundou a Companhia de Teatro Cena Aberta.
Doutorou-se em 2008. Em 2019 virou professora emérita, a primeira mulher negra a receber o título na universidade, e publicou Ananse tecendo teias na diáspora, sobre as estratégias de resistência da diáspora africana.
Em 18 de agosto, três semanas antes de morrer, plantou uma muda de baobá no campus da UFPA, cercada de amigos e da família.
Fontes: Agência Brasil, UFPA, Diário do Pará e registro do CNPq, 8 e 9 de setembro de 2026.