Ao longo de quase duas décadas, o nome de Flávio Bolsonaro apareceu ao lado de nomes ligados às milícias do Rio de Janeiro em cinco episódios documentados pela imprensa e por registros oficiais: uma medalha, uma moção de louvor, um discurso na Assembleia Legislativa, duas contratações no gabinete e uma emenda parlamentar. Flávio não é réu nem foi condenado em nenhum desses casos, e tem uma explicação para cada um.

1. A medalha a Adriano da Nóbrega

Em 2005, como deputado estadual, Flávio concedeu a Medalha Tiradentes, honraria da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), ao policial militar Adriano da Nóbrega, que naquele momento estava preso. Adriano foi absolvido naquele caso. Anos depois, o Ministério Público do Rio de Janeiro o apontou como líder do Escritório do Crime. Foragido, ele morreu em 2020, num confronto com a polícia na Bahia, sem ter sido condenado por milícia.

Flávio diz que homenageou Adriano quando ele "não tinha feito absolutamente nada de errado".

2. A moção ao major Ronald

Em 2004, Flávio apresentou uma moção de louvor ao major Ronald Paulo Alves Pereira. Em 2021, Ronald foi condenado por comandar a milícia de Rio das Pedras e da Muzema. Em fevereiro de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou a 56 anos de prisão pelas mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Flávio diz que já concedeu centenas de homenagens a agentes de segurança.

3. O discurso de 2007

Em 7 de fevereiro de 2007, na tribuna da Alerj, Flávio disse que a milícia buscava "expurgar do seio da comunidade o que há de pior: os criminosos". A frase está no registro taquigráfico da sessão. Em 2019, ele disse ser contra as milícias e afirmou que a fala foi tirada de contexto.

4. O gabinete

A mãe e a ex-mulher de Adriano da Nóbrega trabalharam como assessoras de Flávio na Alerj até novembro de 2018. Ele diz que as duas foram indicadas por Fabrício Queiroz, seu ex-assessor. A denúncia do caso das rachadinhas, que envolvia o gabinete, foi rejeitada pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio em maio de 2022, depois que as provas foram anuladas.

5. A emenda do Peixe

Segundo mensagens obtidas pela Polícia Federal e reveladas em 22 de setembro, uma assessora do gabinete de Flávio no Senado negociou em 2023 uma emenda de R$ 199 mil para um projeto esportivo na Taquara, em Jacarepaguá, com Robson Calixto, o Peixe. Peixe foi depois condenado pelo STF por organização criminosa no processo do caso Marielle. A emenda foi destinada via Ministério do Esporte. A defesa diz que ela seguiu a lei e que a execução cabe à entidade que recebeu o recurso.

O Poder Afrikano já tinha contado essa história em detalhe: leia a matéria sobre a emenda.

O que as cinco notícias dizem juntas

Nenhum dos cinco episódios, sozinho, levou Flávio ao banco dos réus. Juntos, eles mostram uma proximidade que se repete por quase vinte anos: de um lado, homenagens a Adriano e a Ronald; do outro, um negócio de gabinete com Peixe. Ronald e Peixe acabaram condenados pelo STF no processo do caso Marielle. É esse histórico que o eleitor tem diante de si.

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Fontes: Metrópoles (20 de fevereiro de 2020); Terra/Estadão (24 de janeiro de 2019 e 28 de agosto de 2026); CNN Brasil (25 de fevereiro e 22 de setembro de 2026); Migalhas (25 de fevereiro e 14 de julho de 2026); Exame (22 de janeiro de 2019); Congresso em Foco (22 de janeiro de 2019); Agência Brasil (16 de maio de 2022); Poder360 (22 de setembro de 2026); Alerj, registro taquigráfico da sessão de 7 de fevereiro de 2007. Foto: Agência Senado/Wikimedia Commons.